O desemprego em massa e a corrupção política desenfreada, jogavam por terra o que ainda restava do respeito e ética à dignidade humana. Quadrilhas se formavam em todos os becos e saqueavam a todos e a tudo, desde computadores e celulares de última geração, a aparelhos de alta tecnologia em lojas, supermercados, e escritórios públicos e particulares. Hordas enormes de ladrões se apropriavam de alimentos até das casas de famílias humildes. Nada ficava incólume àquela devastação social.
Felizmente, para Célia e Íris (a menina), assim que o pânico começou a se instalar, ambas conseguiram fugir às pressas pelos fundos do quintal e se abrigaram no galpão de uma velha fábrica vazia, mas sabiam que era por pouco tempo. Tropas da polícia chegavam em caminhões para conter à força àquela destruição da ordem pública, mas até esses se deixavam contaminar e aderiam aos saques e assassinatos de pessoas inocentes, como idosos, mulheres e crianças. A terra não era mais um lugar seguro para abrigar e proteger a raça humana, tendo em vista que até a natureza se rebelava, e uma chuva de meteoros bombardeava uma grande parte das nações, deixando marcas profundas onde caíam. As grandes cidades ficavam com suas luzes apagadas, a água encanada sumia das torneiras, e a orgulhosa civilização ocidental se debatia em espamos de dor e lamentos.
Entretanto, como já foi dito anteriormente, mãe e filha, encontraram o apoio surpreendente e inesperado de Petrônio e sua equipe multidisciplinar de médicos, cientistas e psicólogos que as acalmaram como podiam e as acomodaram em um pequeno e confortável quarto com flores do campo na mesinha de cabeceira, ali foram bem tratadas e fizeram uma refeição farta e quente que não experimentavam há dias. Adormeceram nos braços uma da outra.
- Então, já estão preparadas para a viagem de helicóptero? Vai chegar daqui a vinte minutos, disse Petrônio com voz pausada e firme.
Célia apenas virou sua face pálida para o lado dele e fez um gesto de concordância, mas seu pensamento voou para longe, para o passado de uma pequena ermida onde ela, Donato, o marido, e a pequenina Íris, passeavam pelo verde de uma horta onde cultivavam alfaces, repolhos, batatas e tomateiros.
Subitamente, um som estrepitoso afastou-a de suas mais doces lembranças, o helicóptero se aproximava e pousava numa área improvisada.
- Vamos sair daqui rápido, minhas queridas! Apressa-se o anfitrião. Porém, por um breve momento, ele percebe o estado melancólico da mulher que cai num pranto dolorido. Foi quando aconteceu um terno abraço como se fora de pai e filha, e Petrônio também chorou sem sentir pejo ou vergonha da sua masculinidade.
Passado esse momento de emoção, em um assomo, aquele senhor lhe fez uma pergunta que lhe pareceu absurda:
- Queres partir desse planeta, Célia?
Na terceira parte da história, conheceremos a resposta de Célia. Aguardemos mais um capítulo, por favor.
Estão gostando? A opinião e até as sugestões de vocês, principalmente essas últimas, serão o nosso termômetro nessa jornada ao infinito.
Obrigada a todos!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Filhas das Estrelas - tentativa de ficção científica - novela
A princípio, o que as duas mulheres viram, não passava de uma porta carcomida de um antigo casarão, mas à medida que se aproximavam, outras estrututas arquitetônicas se divisavam ante seus olhos atônitos.
Célia bateu à porta e deparou-se com a figura de um homem muito alto e de barbas grisalhas. Ele a cumprimentou sorridente e afagou a pequenina cabeça da menina. Porém, ao penetrarem ali, ambas perceberam um entrelaçamento de grades fortes de ferro que ao serem tocadas por Petrônio (o nome do anfitrião) subiram e deixaram sobressair uma espécie de laboratório enorme e branco por onde circulavam cientistas que se locomoviam sobre um piso cinza e brilhante.
A menina, muito assustada, agarrou-se com medo à saia da mãe. Ainda achava-se em estado de choque com as imagens recentes e perturbadoras que tomara contato até chegarem ali. Vira homens armados nas ruas e que tomavam brutalmente de assalto residências, maltratando pessoas inocentes e indefesas.
Continua no próximo capítulo...
Obrigada pela leitura!
Célia bateu à porta e deparou-se com a figura de um homem muito alto e de barbas grisalhas. Ele a cumprimentou sorridente e afagou a pequenina cabeça da menina. Porém, ao penetrarem ali, ambas perceberam um entrelaçamento de grades fortes de ferro que ao serem tocadas por Petrônio (o nome do anfitrião) subiram e deixaram sobressair uma espécie de laboratório enorme e branco por onde circulavam cientistas que se locomoviam sobre um piso cinza e brilhante.
A menina, muito assustada, agarrou-se com medo à saia da mãe. Ainda achava-se em estado de choque com as imagens recentes e perturbadoras que tomara contato até chegarem ali. Vira homens armados nas ruas e que tomavam brutalmente de assalto residências, maltratando pessoas inocentes e indefesas.
Continua no próximo capítulo...
Obrigada pela leitura!
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Valei-nos, Santa Maria! Nada de carnaval!
Cheios de planos em suas mentes criativas, eles partiram felizes para uma dimensão cujo fundamento transcendental coloca ateus e religiosos em permanente e eterno confronto filosófico. Pouco importa isso agora.
Simplesmente, em meio à mortífera cortina de fumaça e às chamas alucinantes, tudo está carbonizado. Principalmente...os sonhos.
Flores para os mortos!
Outras tragédias se sucederão nesse mundo materialista, impiedoso, ganancioso, perverso, narcisista, sem compaixão. Assistir a tudo pela mídia, foi o que nos restou.
Enquanto isso, o gado exibe sua ossada branca na caatinga nordestina, mais e mais crianças choram sua fome e comem macambira amarga. Morrem também, as infelizes.
Lama e chuvas torrenciais arrastam casas simples, colchões, geladeiras, bonecas, carrinhos de brinquedo e criancinhas que nem chegaram a ter um sonho sequer. Culpa de quem? Quem ousa falar a verdade?
Flores, muitas flores para os que se evadiram dessa terra sem lei.
Valei-nos, Santa Maria!
Nem pensar em carnaval!
PS: Santa Maria, cidade gaúcha onde ocorreu o tenebroso incêndio que ceifou as vidas de trezentos jovens estudantes.
Simplesmente, em meio à mortífera cortina de fumaça e às chamas alucinantes, tudo está carbonizado. Principalmente...os sonhos.
Flores para os mortos!
Outras tragédias se sucederão nesse mundo materialista, impiedoso, ganancioso, perverso, narcisista, sem compaixão. Assistir a tudo pela mídia, foi o que nos restou.
Enquanto isso, o gado exibe sua ossada branca na caatinga nordestina, mais e mais crianças choram sua fome e comem macambira amarga. Morrem também, as infelizes.
Lama e chuvas torrenciais arrastam casas simples, colchões, geladeiras, bonecas, carrinhos de brinquedo e criancinhas que nem chegaram a ter um sonho sequer. Culpa de quem? Quem ousa falar a verdade?
Flores, muitas flores para os que se evadiram dessa terra sem lei.
Valei-nos, Santa Maria!
Nem pensar em carnaval!
PS: Santa Maria, cidade gaúcha onde ocorreu o tenebroso incêndio que ceifou as vidas de trezentos jovens estudantes.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Uma questão de perspectiva
Na complexidade do destino, aquele morro verde encheu-me o olhar
E o caminho nunca foi tão reto e sem fim, assim como o vento
que foi sendo engolido pela janela aberta por nuvens translúcidas
Fluidas
Ali também estava a antena de TV, imponente, sorvendo imagens
do éter
Duas pessoas no terraço do prédio distante, pareciam-me
tão perto e palpáveis, quase me enganaram
Sei que a mão de Deus não pousou em mim que eu sentisse
E se as pessoas fossem finas como folhas de papel?
Uma simples questão de perspectiva,
e abriu-se o portal da poesia em mim,
Pensar que foi tudo assim,
De repente, sem nenhum sentido preciso
preciso ser imprecisa...
E o caminho nunca foi tão reto e sem fim, assim como o vento
que foi sendo engolido pela janela aberta por nuvens translúcidas
Fluidas
Ali também estava a antena de TV, imponente, sorvendo imagens
do éter
Duas pessoas no terraço do prédio distante, pareciam-me
tão perto e palpáveis, quase me enganaram
Sei que a mão de Deus não pousou em mim que eu sentisse
E se as pessoas fossem finas como folhas de papel?
Uma simples questão de perspectiva,
e abriu-se o portal da poesia em mim,
Pensar que foi tudo assim,
De repente, sem nenhum sentido preciso
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
O que se traça na taça
Uma incredulidade me assalta constantemente sobre a "capacidade" que o ser humano tem em prejudicar outro ser humano. Somos suicidas em potencial, eis minha primeira conclusão - talvez meio precipitada.
João, na Ilha de Patmos, no seu exílio forçado, medita e escreve o apocalipse. Ele foi o único discípulo que assistiu todo o martírio e a crucificação de Jesus. Impressionante essa imagem, não?
Milagres e abominações borbulham na taça que contém o sangue dos miseráveis.
Uma lágrima pesada cai sobre Nova Iorque, outra despenca em Xerém.
De Xerém a Nova Iorque, qual a distância tem?
Enquanto a taça transborda para alguns, para a maioria, no entanto, falta-lhes a gota que refrigera os lábios sedentos.
"E o quarto anjo derramou sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abraçasse os homens com fogo."
Nada demais, apenas para refletir e traçar rumos para 2013.
João, na Ilha de Patmos, no seu exílio forçado, medita e escreve o apocalipse. Ele foi o único discípulo que assistiu todo o martírio e a crucificação de Jesus. Impressionante essa imagem, não?
Milagres e abominações borbulham na taça que contém o sangue dos miseráveis.
Uma lágrima pesada cai sobre Nova Iorque, outra despenca em Xerém.
De Xerém a Nova Iorque, qual a distância tem?
Enquanto a taça transborda para alguns, para a maioria, no entanto, falta-lhes a gota que refrigera os lábios sedentos.
"E o quarto anjo derramou sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abraçasse os homens com fogo."
Nada demais, apenas para refletir e traçar rumos para 2013.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Pisca pisca de Natal
Aconteceu em um tempo em que pinheirinho de Natal ainda era árvore de verdade, com direito à fotossíntese e coisas desse jaez. Pois é, hoje tudo está bem diferente. Vamos em frente porque atrás vem gente.
O pai abria a caixa mágica e retirava dali um fio contendo miríades de estrelinhas coloridas. Segundos depois, tudo começava a piscar e tremeluzir em delicados tons de azuis, verdes, vermelhos e até aquelas cores que a nossa fertilíssima imaginação inventava. Sentados naquele piso bem limpo da sala, nós, crianças, éramos as únicas que não piscavam. Lábios entreabertos e corações acelerados, apenas nos encantávamos com tamanha magia.
Coisa para rir, ou para chorar? Emoções que se traduzem numa única e maior emoção: uma enorme saudade dos inocentes natais de uma infância simples, gostosa, despretensiosa.
Oh, tempo cruel e caprichoso! Devolva-me, por favor, aquele pisca pisca de Natal. Não, não, prefiro que me tragas de volta meus pais, minha família reunida, meus pequeninos irmãos. Mesmo sabendo da impossibilidade desse pedido, sempre será essa a minha eterna e única petição.Quero sentir a alegria retornar ao meu triste coração, de qualquer maneira. Dá um jeito aí, Papai Noel!
Feliz e doce Natal, amigos!
Um 2013 belo e com muitas mudanças positivas!
O pai abria a caixa mágica e retirava dali um fio contendo miríades de estrelinhas coloridas. Segundos depois, tudo começava a piscar e tremeluzir em delicados tons de azuis, verdes, vermelhos e até aquelas cores que a nossa fertilíssima imaginação inventava. Sentados naquele piso bem limpo da sala, nós, crianças, éramos as únicas que não piscavam. Lábios entreabertos e corações acelerados, apenas nos encantávamos com tamanha magia.
Coisa para rir, ou para chorar? Emoções que se traduzem numa única e maior emoção: uma enorme saudade dos inocentes natais de uma infância simples, gostosa, despretensiosa.
Oh, tempo cruel e caprichoso! Devolva-me, por favor, aquele pisca pisca de Natal. Não, não, prefiro que me tragas de volta meus pais, minha família reunida, meus pequeninos irmãos. Mesmo sabendo da impossibilidade desse pedido, sempre será essa a minha eterna e única petição.Quero sentir a alegria retornar ao meu triste coração, de qualquer maneira. Dá um jeito aí, Papai Noel!
Feliz e doce Natal, amigos!
Um 2013 belo e com muitas mudanças positivas!
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Uma alagoana em Salvador
Ouricuri, coquinho comestível que se rompe em duas metades iguais. Na linguagem dos índios e cablocos alagoanos quer dizer, Pariconha, cidadezinha sertaneja com pouco mais de uma década de independência. Essa é a minha distante aldeia natal. É isso aí, nasci em Alagoas. Em eras passadas, dançar "o coco" era coisa só de homem e mulher solteira. Meu avô foi o mais reconhecido dançarino de coco de sua época. Ao morrer, só disse dois nomes de mulheres: Florence e Zabelê, suas fiéis parceiras de dança, e talvez de amores proibidos.
A moça criada no Rio, desconhece quase tudo que a rodeia e se inebria com os verdes roçados de doces melancias que serpenteiam caatinga adentro. Precisa reencontrar suas origens e pisa fundo no acelerador do jipe que sobe pelo serrotinho acima onde seus velhos e queridos avós construíram a casa branca de pedras. Salta e abre o portão de madeira que ao ranger, demonstra um queixume pelo abandono e a espera pelos longos anos sem carinho. Cômodos escuros e vazios. Não há como evitar as lágrimas...
As férias estão por terminar, mas a Rio-Bahia nos atrai e o mesmo jipão põe-se a rodar pela madrugada, ao encontro das luzes de Jequié. Daí para Salvador, é um pulo.
Baianinhas de rendas alvas ao sol, estendem seus tabuleiros de acarajés e outros quitutes pelas escadarias do Bonfim. Fitinhas coloridas, balangandãs e lembrancinhas balouçam com o impulso da brisa baiana. Alguém puxa-nos delicadamente pelo braço e nos segreda que necessário se faz que recebamos as devidas bênçãos dos Orixás, mas só depois de rezarmos uma missa ao Senhor do Bonfim, terra amiga e gostosa do sincretismo é essa primeira capital do Brasil.Nunca vou te esquecer, Bahia.
De volta à pensão familiar, um rapaz de camisa aberta, pondo à mostra seu másculo peito moreno, abraça a cintura do seu violão, deixando que a noite se escoasse bem dentro de mim no sem fim de Jorge Amado, Caymmi, João Gilberto, Caetano, Gil, Gal e tantos, tantos outros.
PS: Volto antes do Natal, tchau, tchau!
Mil e um beijinhos procês, e provem aí os coquinhos tenros do ouricurizeiro. Pode crer, nunca houve um sabor igual.
A moça criada no Rio, desconhece quase tudo que a rodeia e se inebria com os verdes roçados de doces melancias que serpenteiam caatinga adentro. Precisa reencontrar suas origens e pisa fundo no acelerador do jipe que sobe pelo serrotinho acima onde seus velhos e queridos avós construíram a casa branca de pedras. Salta e abre o portão de madeira que ao ranger, demonstra um queixume pelo abandono e a espera pelos longos anos sem carinho. Cômodos escuros e vazios. Não há como evitar as lágrimas...
As férias estão por terminar, mas a Rio-Bahia nos atrai e o mesmo jipão põe-se a rodar pela madrugada, ao encontro das luzes de Jequié. Daí para Salvador, é um pulo.
Baianinhas de rendas alvas ao sol, estendem seus tabuleiros de acarajés e outros quitutes pelas escadarias do Bonfim. Fitinhas coloridas, balangandãs e lembrancinhas balouçam com o impulso da brisa baiana. Alguém puxa-nos delicadamente pelo braço e nos segreda que necessário se faz que recebamos as devidas bênçãos dos Orixás, mas só depois de rezarmos uma missa ao Senhor do Bonfim, terra amiga e gostosa do sincretismo é essa primeira capital do Brasil.Nunca vou te esquecer, Bahia.
De volta à pensão familiar, um rapaz de camisa aberta, pondo à mostra seu másculo peito moreno, abraça a cintura do seu violão, deixando que a noite se escoasse bem dentro de mim no sem fim de Jorge Amado, Caymmi, João Gilberto, Caetano, Gil, Gal e tantos, tantos outros.
PS: Volto antes do Natal, tchau, tchau!
Mil e um beijinhos procês, e provem aí os coquinhos tenros do ouricurizeiro. Pode crer, nunca houve um sabor igual.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Poeminha do pastel de queijo
Se você vai se amarrar em degustar caviar
Se você quer mergulhar no vermelhão
Do molho do macarrão
Tudo certo! Tudo bom!
Coma lá o que quiser
E puder...
Eu, por minha vez,
Sou mais o popular pastel de queijo
Quentinho se derretendo
Ao calor da minha boca
E por ter-me sido ofertado
Pelo meu amor querido
Percorre bem aos pouquinhos
Os escaninhos desse meu
Simples coração
Sem frescura
Pé no chão

Se você quer mergulhar no vermelhão
Do molho do macarrão
Tudo certo! Tudo bom!
Coma lá o que quiser
E puder...
Eu, por minha vez,
Sou mais o popular pastel de queijo
Quentinho se derretendo
Ao calor da minha boca
E por ter-me sido ofertado
Pelo meu amor querido
Percorre bem aos pouquinhos
Os escaninhos desse meu
Simples coração
Sem frescura
Pé no chão

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sábado, 29 de setembro de 2012
A casa dos outros é melhor!
Quem sabe, aquelas reminiscências da infância, de brincar e curtir a casa dos coleguinhas, tenham uma razão mais profunda de ser?
Olhemos lá para trás, no alvorecer da humanidade, tribos nômades, as caravanas da rota da seda, e até os nossos indígenas, todos em constante mudança, todos sem fincar pé, sem criar limo na pedra.
Será que eles é que eram os atrasados, e nós, apenas nós, prisioneiros em condomínios fechados, os evoluídos?
O arquiteto, humanista e grande pensador, Sérgio Bernardes, com seus tantos milhares de projetos inteligentissimos, fez-me parar pra pensar por muitos anos em apenas um deles. Sua proposta era simples e (ainda) revolucionária: a troca de residências. Se você precisa se mudar de casa e alguém em outro lugar do planeta também, troquem de casa. Você vem pra minha, eu vou pra sua. Não é fácil? Você pensa assim? Não pensa?
Veja, a questão aqui não é só exterior e materialista, tudo pode ser e deveria ser resumido numa postura de confiança e respeito pelo outro. Não basta ir no cartório e firmar um título de propriedade ou um contrato qualquer, mudemos por dentro e mudaremos por fora. Sendo assim, todas as outras coisas se resolverão a contento. Isso, a meu ver, é que é ser moderno, o resto é enganação e individualismo no mais alto grau. Aliás, o nosso individualismo e egoísmo estão nos levando por caminhos cada vez mais desastrosos.
A palavra moderno, trouxe-me à mente a lembrança do gênio criativo de Chaplin que, ao levar para o cinema Tempos Modernos, tornou-se o pioneiro nessa idéia ao colocar um casal apaixonado, mas pobre, dentro de um shopping de luxo, onde ambos por uma noite apenas, absorveram dali todo o proveito de uma vida confortável e digna que jamais teriam pela frente. Viva o eterno Carlitos!
El Habitante Incierto do jovem diretor, Guillem Morales, e Casa Vazia do magistral coreano, Ki-duk Kim, chegaram agora para ampliar e dar força, pelo menos na ficção, de que o impossível pode e deve ser tentado.
Afinal, meus amigos, a única certeza que temos nessa vida é da impermanência das coisas.
"Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Só para não deixar de citar nosso poetinha, Vinícius de Moraes em Vinícius para Crianças, o álbum de músicas infantis mais bonito que já conheci.
E agora, posso ir na sua casa?
Olhemos lá para trás, no alvorecer da humanidade, tribos nômades, as caravanas da rota da seda, e até os nossos indígenas, todos em constante mudança, todos sem fincar pé, sem criar limo na pedra.
Será que eles é que eram os atrasados, e nós, apenas nós, prisioneiros em condomínios fechados, os evoluídos?
O arquiteto, humanista e grande pensador, Sérgio Bernardes, com seus tantos milhares de projetos inteligentissimos, fez-me parar pra pensar por muitos anos em apenas um deles. Sua proposta era simples e (ainda) revolucionária: a troca de residências. Se você precisa se mudar de casa e alguém em outro lugar do planeta também, troquem de casa. Você vem pra minha, eu vou pra sua. Não é fácil? Você pensa assim? Não pensa?
Veja, a questão aqui não é só exterior e materialista, tudo pode ser e deveria ser resumido numa postura de confiança e respeito pelo outro. Não basta ir no cartório e firmar um título de propriedade ou um contrato qualquer, mudemos por dentro e mudaremos por fora. Sendo assim, todas as outras coisas se resolverão a contento. Isso, a meu ver, é que é ser moderno, o resto é enganação e individualismo no mais alto grau. Aliás, o nosso individualismo e egoísmo estão nos levando por caminhos cada vez mais desastrosos.
A palavra moderno, trouxe-me à mente a lembrança do gênio criativo de Chaplin que, ao levar para o cinema Tempos Modernos, tornou-se o pioneiro nessa idéia ao colocar um casal apaixonado, mas pobre, dentro de um shopping de luxo, onde ambos por uma noite apenas, absorveram dali todo o proveito de uma vida confortável e digna que jamais teriam pela frente. Viva o eterno Carlitos!
El Habitante Incierto do jovem diretor, Guillem Morales, e Casa Vazia do magistral coreano, Ki-duk Kim, chegaram agora para ampliar e dar força, pelo menos na ficção, de que o impossível pode e deve ser tentado.
Afinal, meus amigos, a única certeza que temos nessa vida é da impermanência das coisas.
"Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Só para não deixar de citar nosso poetinha, Vinícius de Moraes em Vinícius para Crianças, o álbum de músicas infantis mais bonito que já conheci.
E agora, posso ir na sua casa?
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Penélope das ruas
Ônibus lotado, setembro chegou, o calor dos corpos, suores, desodorantes no ar, cheiro de gente. Da janela, viam-se pequenos jardins onde minúsculas flores despertavam nossos sentidos com cores primaveris. Breve namoro com a natureza no caos da cidade veloz, feroz.
Vestido de tricô verde-claro, artesanal, ponto a ponto, ela trazia em suas robustas e calosas mãos, agulhas de tricô que se movimentavam magicamente, hipnoticamente céleres.
Os atropelos do veículo não alteravam o seu ânimo, tranquila estava, sentou-se ao meu lado.
Chegou o ponto final e desceu. Ainda a vejo parada na rua, Um pouco de verde na dureza cinzenta do asfalto, sol sobre sua cabeça de fios prateados. Novelo vivo de lã humana, tecelã dos nadas.
Penélope das ruas, anônima e solitária. Perdeu-se do meu olhar.
Vestido de tricô verde-claro, artesanal, ponto a ponto, ela trazia em suas robustas e calosas mãos, agulhas de tricô que se movimentavam magicamente, hipnoticamente céleres.
Os atropelos do veículo não alteravam o seu ânimo, tranquila estava, sentou-se ao meu lado.
Penélope das ruas, anônima e solitária. Perdeu-se do meu olhar.
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