
Voltemos às suas festinhas onde, pra começo de conversa e antes dos comes e bebes, o pobre homem já lançava à turma ali reunida um recadinho musical: "Formiga que quer se perder cria asa..." O clima pesava de início, mas depois, ora, ninguém era de ferro e a descontração vinha na mesma proporção em que as caipirinhas, cervejas e whiskies com guaraná desciam goelas abaixo dos sedentos convidados.
Ocorria, lá pela metade dos folguedos, um certo fenônemo que sempre inquietava a alma já por demais inquieta do dono da casa. Dona Rosália, a mulher e Nicinha, a filha, desapareciam por completo da sua vista já turvada pelo álcool e vexame.
Armandito, transpirando raiva e humilhação por todos os poros, não se dava por vencido. Sacava do lenço de seda amarelo e enxugava a testa, gesto esse que não passava desapercebido aos que o tratavam com sarcasmo e hipocrisia. Olhares arrevezados eram trocados daqui e dali mas, fazer o que? Com asas ou sem, as formiguinhas voavam em direção a um outro formigueiro de local ignorado, onde, provavelmente, eram aguardadas por formigões gulosos, insaciáveis.
A festa, ainda mais animada, continuava.
Geraldo Pereira compôs com maestria e a voz doce e afinada de Zizi Possi canta: Escurinha.