terça-feira, 21 de julho de 2015

Férias - Vou andar por aí!

"Vou andar por aí
Perguntar por aí
Pra ver se encontro
A paz que perdi..."

Volto, mas não sei quando volto
Por que?
Porque sim
Ah, sei lá porque..
E sai da frente que o meu carango tá passando!






quinta-feira, 2 de julho de 2015

Essa alma livre - por onde esvoaçará?


É fato, não há liberdade nessa terra, essa alma que se diz livre, por onde esvoaçará?
Entre anjos e nuvens de algodão, por aí, ou por lugar algum.
A luminosidade do sol oculto é pouca, labirintos de espelhos refletem tudo, nada refletem.
E eu, simplesmente
cega
Vejo
Quanto ao amor
Talvez
Possa salvar
Talvez, com muita sorte...
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Flávio Venturini, lindo, e ainda por cima, compõe e canta Noites com Sol...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Coelhos e Canteiros - Esse final não pode ser feliz

Uma família que se isola desse injusto e conflituoso mundo pode ser feliz sozinha e a todo custo?
Mark e Gê se adoram, mas não encontram - e talvez nunca venham a encontrar - a receita dessa tal felicidade.
A filha, Anabela, será uma jovem culta e educada, mas conseguirá se tornar uma pessoa de caráter bom e fraternal?
Quisera eu, como autora e otimista incorrigível que sou, colocar como ponto final desse conto um simples "happy end".
Mas não dá!
Necessário se faria que o nosso planetinha fosse um lugar utopicamente bem distribuído entre todos os credos, raças e coisas que tais. Mas tá na cara que utopia não existe, e jamais existirá porque ninguém quer abrir mão de um mínimo dos seus privilégios, ao contrário, quanto mais se tem, mais se quer. Vivemos em tempos de TER e não de SER.
Daí,  tendo em vista argumentação tão óbvia, deixo em aberto o fim dessa historinha.
O que podemos mesmo contar de bom e de alvissareiro é que Castanho, o coelhinho fujão, voltou para os seus donos com uma família e tanto de dezenas de coelhinhos também devoradores de todos os canteiros verdejantes do novo jardim que ali foi cuidadosamente cultivado.
Ah, se pudéssemos ser livres, gulosos e safadinhos como eles!
Encerramos por aqui, amigos. Obrigada por me aturarem!
Beijos...

quinta-feira, 12 de março de 2015

Coelhos e Canteiros - O Bem sempre afasta as sombras do mal

A casa onde Mark se hospedara localizava-se numa antiga e pequena vila de camponeses. Em frente a mesma, avistava-se a paróquia do octogenário padre Simão que vez por outra lhes fazia uma visitinha entre cafés e bolinhos de chocolate. E foi assim que ficou combinado que Anabela receberia aulas de idiomas estrangeiros com o grande sábio Simão. A menina aprovou a idéia com júbilo, pois via na figura do padre a imagem do seu avô materno que um dia partira para o plano espiritual. E era assim o padre, um homem bom, amigo, mas capaz de ser justo e severo nos momentos mais cruciais, precisamente naqueles em que cada um de nós, tão fracos que somos, necessitamos de muita força e amparo irrestritos.
Certo dia, mais precisamente, no seu primeiro dia de aula, indo para a igreja, Aninha ouviu gritos e discussões inflamadas no salão paroquial. Era Irene, uma senhora robusta, na meia idade, mas que sentia-se ameaçada por visões e perseguições invisíveis, sendo que confusa como estava as considerava reais. Mas Simão encerrou o caso com uma simples sentença: - Não tema, minha filha, o mal jamais irá sair vitorioso sobre o bem, pois o  universo foi criado perfeito por uma inteligência pura e infinita. Reze com o coração e tudo isso vai passar. pode ir, mas não deixe de me procurar sempre que precisar. Combinado?
Aninha entrou em seguida com flores do campo nas mãos indo depositá-las aos pés de Nossa Senhora. Mas a menina era inteligente e perguntou de inesperado ao seu professor : - Padre, existem demônios? O ancião não resistiu e deu uma estrondosa gargalhada. Em seguida, se recompôs e argumentou: - Menina, olhe para esse céu azul e límpido, será que algum demônio vai resistir a uma luz tão poderosa como essa?
E depois da aula, a jovem saiu para reconhecer os campos floridos de hibiscus brancos, róseos, vermelhos e amarelos que anelavam a estrada que levava ao sítio onde se encontravam.

As sombras da ignorância nunca resistirão à extrema racionalidade da luz, mesmo que perdurem por muito tempo, esse mesmo momento de dor e obscurantismo definitivamente será afastado. Nada dura para sempre.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Coelhos e Canteiros - A família viaja

As coisas não andavam bem naquela casa. Mark ligava a TV e lá vinham enxurradas e mais enxurradas de roubalheiras no patrimônio público do país. Mudava de canal e assassinatos em massa jorravam pela tela, jovens e crianças decapitadas, vidas ceifadas pela estupidez humana.
- Não vejo mais televisão! Se não tenho nenhum poder de mudança no que acontece nesse mundo hostil, por que devo continuar a assistir coisas que me ferem a alma? Sou fraco, podem me acusar.
Gê, a sua Gertrude, a tudo percebia e na sua intuição quase mediúnica mantinha um diálogo com os seus protetores espirituais. Daí, começaram seus flashes e epifanias no seu mundo interior. Às vezes via-se como um adolescente chinês que saltava um muro altíssimo para fugir da polícia, enveredando por labirintos e favelas miseráveis. Em outras ocasiões era um rico mercador de tapetes persas, e as visões continuavam se sucedendo com muita frequência. Já havia ouvido falar em reencarnação , vidas passadas, fenômenos paranormais, mas só agora conseguia notar certas conexões.
Havia algo mais, se ao menos o professor Philip (o Phil) tivesse deixado seu telefone...
Mas um dia, Phil apareceu e uma viagem teve que acontecer. Foram todos para um lugar bem distante, lugar onde tudo poderia fluir melhor; onde haveria um quarto onde Mark e Gê  sonhariam em paz. O local tinha também um pátio cheio de gatos e que, um dia, no futuro, haveria de acolher Castanho, o coelhinho. Anabela iria adorar.
Vamos acompanhar essa fluidez daqui por diante?
Obs.: Amigos, vou respondendo aos pouquinhos a todos os comentários, ok?
Recebam o meu carinho...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Coelhos e Canteiros - O Mestre

A passeata transcorreu a contento. Algumas falas foram proferidas por pessoas que conheciam e sabiam transmitir com segurança os temas ali tratados. Porém, observando atentamente os oradores, Mark reconheceu seu ex professor de filosofia. Qual seria mesmo o seu nome? Não se lembrava mais, pois na faculdade todos só se dirigiam a ele como "mestre" pra lá, "mestre" pra cá, e assim ele formou-se sem saber o nome do professor mais interessante e querido que já tivera.
Agora, já encerrada a envolvente manifestação,  muitos sentavam-se no gramado da praça e apenas  conversavam informalmente.
- Mark, você ainda se lembra de mim? Pergunta-lhe de surpresa o velho mestre que fez questão de sentar-se ao seu lado.
- Sim, claro, professor!
E a conversa fácil, mas inteligente, foi num crescendo até que girou em torno da questão da ética no relacionamento humano. O ex aluno procurava não interromper o bom mestre que demonstrava seu temor quanto ao lado sombrio do homem atual, e que temia que certas atitudes ruins e agressivas, arrastassem a todos de volta à barbárie, resultando isso numa frieza cruel e falta de compaixão pelo semelhante. Foi aí que Mark e Gertrude notaram o semblante triste e abatido do velho homem.
- Mas ainda há esperança de reverter essa dura tendência do coração humano? Quis saber Mark.
- Talvez, meu filho, mas temos que nos mobilizar com cautela, mas com segurança e muito mais frequência, tendo em vista que a acomodação e o silêncio são sinais de indiferença, e você sabe: "quem cala, consente". E tem mais, seremos duramente cobrados pelas novas gerações pela nossa omissão.
De repente, todos perceberam que a filha do casal se agitava com a fuga repentina de Castanho, o coelho. Dessa vez, o professor esboçou um sorriso amigo e disse-lhe com afabilidade:
- Castanho precisa de liberdade para evoluir, os animais têm seus direitos e também buscam o seu próprio caminho de auto-conhecimento. Mas fique certa, Anabela, ele nunca vai esquecer os seus cuidados e carinho. Deixe que ele siga!
A menina, embora já apegada ao animalzinho, entendeu a explicação de sabedoria daquele senhor e, finalmente, acalmou-se.
- Meus amigos, foi bom tê-los encontrado e faço-lhes aqui um convite para que me visitem em breve.
- Mas onde o senhor está morando, professor? Questionou Mark com uma pontinha de medo de perder o contato com aquele que lhe abrira as portas de um conhecimento que ia além do rígido academicismo dos bancos escolares.
- Não se preocupe com endereços e coisas desse tipo, meu amigo mais que aluno. Pode deixar, eu acho vocês!
E o mestre que Mark não via há tanto tempo e que, lamentavelmente, não perguntara o nome, afastou-se atravessando a rua, sumindo por entre as altas árvores enquanto a noite vinha chegando, encobrindo o dia.
A promessa de um novo reencontro fora feita, ele voltaria com respostas. Todos precisavam acreditar nisso.

Imagens retiradas do filme "Apocalypse Now" de Francis Ford Coppola, uma obra cinematográfica fantástica. Fica aqui a nossa recomendação. Abraços!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Coelhos e Canteiros - Mark aproxima-se de Castanho, mas...

Mark e Castanho: uma difícil e estranha convivência.
Camiseta rasgada e bermudas desbotadas demonstram muito bem o quanto o moço não dá a mínima para a aparência. O que ele pretende mesmo é chegar à toca de Castanho e para atraí-lo, leva-lhe guloseimas, mas o bicho está arisco, selvagem, seus olhos flamejam como chispas de fogo no breu subterrâneo onde montou suas barricadas para enfrentar o inimigo. Mas o homem insiste e enfia seus longos dedos por entre a terra escura e úmida.
- Aiiiii! Ouve-se um grito estridente que atravessa os tímpanos mais sensíveis da vizinhança. Castanho acerta-lhe uma dentada daquelas. (-Ora, me respeite, seu humano enxerido!)
Bem, por linhas transversas, a tática de retirar o coelhinho da toca até que deu resultado e funcionou no sentido de que todos vissem o animalzinho pendurado no dedo indicador de Mark que sangrava dolorosamente.
- Bicho malvado, vou te levar para a panela agora! (mais uma promessa de vingança que não se concretizaria)
E aí, entra a menina Anabela falando com o coração que só as meninas possuem:
- Pai, você tá maluco? Meu coelho não vai pra panela nenhuma! Vê se para de fazer drama, tá?
E o pai cedeu. Curativo no dedo, retirou o empoeirado carrinho domingueiro da garagem e todo mundo se acomodou ali como pode. -Vamos ao shopping? Vamos!
Mas cá entre nós, isso é o que veremos a seguir. Castanho, menos tenso e no colo macio de sua dona, tira uma confortável soneca. Mas de repente, um solavanco, uma freada brusca, muda completamente os planos dessa família de classe média que se equilibra em dívidas de cartões de crédito para sobreviver.
Uma passeata de pessoas de todos os naipes sociais, idades diversas, até de crianças de colo, atravessa o caminho de Mark. Cartazes imensos pedem Paz, Ética, Respeito e o Não à Corrupção se fazem tremular nas mãos do povo. São, todos nós sabemos, aqueles direitos básicos que sempre nos faltaram há tanto, tanto tempo que nem temos  mais certeza se existiram algum dia, a não ser nos velhos e empoeirados dicionários.
Gertrude, a mãe, tem uma intuição e pondo sua delicada mão no rosto do marido, apenas lhe pede: - Pare esse carro, meu bem! Vamos descer e seguir essa pacífica gente boa. Mark também sentindo o mesmo desejo, embrenha-se entre desconhecidos e sente-se importante. Ele e sua família agora têm um grande objetivo na vida, vão lutar pela PAZ. Aquele sonho da noite anterior logo lhe vem à lembrança e aqueles rostos já lhe parecem familiares; o garotinho louro despenteado, o magro senhor moreno ao seu lado. Todos formam um só bloco, um belo amálgama de algo que sempre quis viver, mas nunca viveu...
"Eu tenho o coração selvagem e essa pressa de viver..." Belíssima composição do poeta-compositor Belchior, cantamos juntos? Eu, por exemplo, sempre que posso, me deixo levar pelo universo adentro desse genial cearense. Selvagem, mas doce e amoroso.
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Amigos, responderei a todos os comentários no decorrer da próxima semana. Tenham todos um bom e repousante fim de semana!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coelhos e Canteiros - O Natal de Anabela

Então, sonhou estar passeando por uma ilha, acompanhado por várias pessoas que conversavam em um estranho idioma, mas não lhe davam a mínima atenção. Chegou a pensar dentro do próprio sonho naquele tipo de rejeição onírica que sofria por parte daqueles ilustres desconhecidos.
Sonho que até parecia ser bom, transcorrendo à beira-mar, sentindo os pés sendo tocados pelas ondas salgadas e a areia macia cobrindo-lhe os membros inferiores do seu corpo.
Água? Acordou muito assustado. Era Anabela com um copo d'água nas mãozinhas molhando-o nos pés e parte das pernas e, logicamente, com um sorriso pra lá de travesso nos lábios. E antes que pudesse dar-lhe uma boa bronca, ele notou que o seu sorriso se alargava mais e mais, mostrando a ausência dos dentinhos da frente; a menina estava trocando de dentição. Quão jovenzinha era sua filha! Quanta vida pela frente!
- Pai, vamos ao shopping pra ver Papai Noel e o presépio? Vamos, pai, afinal você faz niver no Natal, esqueceu?
- Tá certo, tá certo, Aninha, mas me deixe ao menos despertar e tomar um cafezinho, posso?
A casa, magicamente, encheu-se de gritinhos e barulhinhos de quem salta aos pulos no piso. A menina se achava alegremente descontrolada.
- Mãeeeee, papai chamou a gente pra passear no shopping! Vou trocar de roupa, tá?
Gertrude, tirando o velho avental, já entendia as peripécias da filha e lá se foram ambas para o quarto a fim de escolher roupas bonitas e da moda.
Mark, ou Markinho, como era chamado pelos mais chegados, saiu do quarto arrastando seus chinelões, passou pela janela aberta e de lá avistou Castanho (o glutão coelhinho) na sua infindável refeição naturalista, e que agora já devorava as alfaces. Sorriu e pensou em voz alta: - Dessa vez não tenho desculpa, só me resta levar esse bendito cartão de crédito. Mas só o cartão de crédito? Por que não deixar que Castanho também participasse desse banquete natalino?
- Acho que vou levar o Castanho! Vou sim! Decidiu.
PS: A essa altura dos acontecimentos, vocês já devem estar imaginando as confusões de Mark e Castanho na praça de alimentação do shopping, não é mesmo?

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Coelhos e Canteiros

Ele sempre se sentia perdido quando tinha que optar entre isso ou aquilo E aí vinha aquele desespero antes e depois daquelas escolhas obrigatórias do dia a dia.
Foi numa dessas ocasiões, mais precisamente, no dia do seu aniversário - ia completar quarenta anos - que sentiu uma vontade forte de lançar fora de si velhos hábitos e convenções já enraizados no seu mundo interior.
Numa manhã bem clara, olhou para os canteiros que sua pequena Anabela, plantara no fundo do quintal quando ouviu ali arrufos e alguns movimentos entre as verdes ramagens. Era ele, o pequeno e devastador orelhudo, um belo coelhinho castanho dourado que se apropriava sem pudor das tenras cenourinhas que começavam a crescer terra adentro. Porém, Mark apenas observou e não fez nenhuma menção de atrapalhar "o almoço" do ladrãozinho esfomeado. Ficou ali parado, estudando suas reações e sentindo um grande prazer com toda aquela atividade, um dia conseguiria sua amizade, pensou.
Voltou para dentro de casa, jantou com a família e caiu na cama cansado, mal beijando sua mulher que, coitada, vivia atarefada com os seus intermináveis serviços domésticos, e pior, sem o seu carinho e diálogo.
Mark já não era mais o mesmo marido de antes, o mesmo amante envolvente e fogoso. Sentia-se como um autômato que tomava banho, escovava os dentes e fechava os olhos para que caísse sobre ele o esquecimento do mundo e seus insolúveis problemas.
Continuaremos depois...
Curtam  aí o talentoso Raimundo Fagner e seus Canteiros.
As imagens são do filme "O Ano do Coelho" com uma das mais notáveis atuações de Christopher Lambert e um belíssimo roteiro baseado num livro muito sensível.


PS: Vou responder a todos os amigos que amavelmente me comentaram enquanto o nosso pc se encontrava em manutenção. Tudo vai voltar ao normal, se Deus quiser! Beijinhos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Será que virei Alice?


Ando numa fase que só quero coisa simples, escrever para criança, sendo que assim, escrevo para mim mesma. Por isso, um dia vou te contar a história do coelhinho dentuço e saltitante. Ah, esse bichinho fica me seguindo aonde eu vá, será que virei Alice?
Viro-me, e lá está ele cravando os dentinhos na suculenta cenoura, olho para o outro lado e o danadinho já está rodopiando numa moita de capim, metendo o focinho na toca.
E fica me seguindo, me seguindo...
Que sinais me envias? Queres que eu te siga? Mas para onde podes me levar?
Espera, espera que eu irei!