Não, não é preciso ser religioso. Apenas venha, achegue-se a essas barraquinhas de cocadas, pudins, pamonhas, pés-de-moleque que os nossos ambulantes armam com carinho para melhor servirem ao povo que participa dos festejos juninos e julinos. Vale a pena quebrar aquela dieta chata e cairmos de boca nos quitutes ali expostos, essa é "a santa gula" que nenhum santo vai condenar. Ah, com certeza, não vai, não.Não fica pesado no bolso; um real daqui, dois dali, e está completa a deliciosa refeição.
Esperem, estou avistando daqui uma moçoila loura que, em desespero de causa, lança um bilhetinho sobre a cabeça de Santo Antonio. Pode ser que o seu amor tenha sumido na poeira da saia de uma morena e, coitada da loirinha, com o coração aos pedaços, suplica ao santinho já meio careca e abraçado ao Menino Jesus, que dê um jeitinho. Será que ele vai atendê-la? Mais uma dentada na cocada e lá vem chegando São João, ardente em fagulhas e labaredas, assiste ao preparo de batatas doces, mandiocas e milhos, sendo assados no braseiro. E a "santa gula" continua com um fervor sem igual. Vamos comer antes que sejamos comidos, essa é a palavra de ordem.
Pedro, circunspecto e sóbrio, resolve acabar com a brincadeira e, todo engomado nas suas vestes alvas, toma de uma enorme chave dourada e acabou-se o que era doce.
Anarriê! Vamos formar a quadrilha! Entendam, eu falei em quadrilha no melhor dos sentidos. É bom frisar bem isso, pois nos tempos que correm...bom, deixa pra lá!
Quando eu nasci, veio um anjo torto. Peraí, isso é do Carlos, o Drummond. Retomando a palavra: quando eu nasci, uma dessas faíscas atingiu o ventre da minha mãezinha quase torrando-me o pequenino e tenro cérebro, mas meu São Joãozinho permitiu que restasse por ali umas sobras de inspiração. Por isso, hoje aqui estou, torrando a paciência do leitor que ainda, pacientemente, me lê.
Na parte musical, vamos de Gal em Festa do Interior.Essa é pra sacudir o arraiá da blogosfera.
Olha a Bahia aí, Siba e Lúcia!!!













Final de semana na praia, com certeza. Na capota do Packard sempre havia lugar para mais um, ou mais uns, quantos coubessem. Corpos suados, cabelos soltos ao vento, liberdade sem medo do perigo. Que ato de perigo teria a audácia de rondar a nossa felicidade?
