sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sombra, velha sombra na parede...

Lá está o mesmo rosto
Delineado com alguma maestria
Ao acaso de um pintor inexistente
Perdido no descascar de uma parede
Não preciso dar-te importância
És apenas uma sombra
Vou à rua
Mas volto, sempre volto
Te reencontro, intacto
Sobrancelhas, lábios
Um certo sorriso paralisado
Não me assombras mais
Pois, em sendo sombra
Sois triste projeção
De um passado perdido

STANISLAW PONTEPRETA:

"O homem de duas caras, geralmente, usa a pior..."

letras com trevo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O que você faz no quarto?

Curtindo nossos filmes, momentos de descontração
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Não, não precisa responder! Não me interessa mesmo saber.
O título foi apenas um pretexto que encontrei para "invadir" um espaço do lar, um lugar da nossa mais completa intimidade.
Nunca consegui libertar-me de fazer quase tudo no quarto, tentei até montar cantinhos artísticos na garagem, lugar para meditação, mas qual nada! Fracassei, joguei a toalha.
Agora, assumi de vez e é no quarto que escrevo, como (alimento-me oralmente) e fico aqui, nesse pc, me distraindo, algumas vezes, mas também me aborrecendo um bocado com algumas chatices virtuais... deixa pra lá!

Ah, até que não tá mal nosso ninho de amor!

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Alguns até me perguntarão - se tiverem coragem - se faço muito amor, sexo, sejamos mais realistas. Acham mesmo que vou responder? Nunquinhas de pitibiriba. Moralismo? Nada disso. Não sou preconceituosa, mas lembro-me do tempo em que nem visitas poderiam sentar-se na cama do casal e, se por um descuido do destino, o faziam, quando o intruso(a) saía, trocávamos toda a roupa de cama. Sabia-se lá dos germes e da energia negativa que a criatura podia carregar nas partes "dos países baixos"? Tolas tradições...

Agora, falando mais sério, trago comigo a convicção de que é no quarto onde reside o tal inconsciente coletivo, os sonhos, fantasias e...os nossos temíveis fantasmas.Um sonho de quarto, mas só amo o que posso ter
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Seja de luxo, seja de qualquer classe social ou até numa simples esteira não deixa de ser no local que dormimos que se abre uma "dimensão" onde viajamos por palácios de mármore de carrara, jardins das delícias ou nos deparamos com temíveis abismos. Resumo da ópera: o ambiente não é preponderante, o estado de espírito, sim. E que seja o melhor, desde que busquemos por paz...

Uma esteirinha nesse verão do Rio também é uma boa

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Por hoje, tá bom!
Bom sono, meus queridos!


PABLO NERUDA:
"É tão curto o amor e tão longo o esquecimento..."



Tô inventando um lugarzinho legal pra guardar nossas "jóias virtuais" que muito prezo e amo de coração, chama-se: "Porta-jóias da Vanuza/Selos e Mimos". Tá no comecinho, mas vou caprichar mais se vocês me derem uma forcinha, pode ser ou tá difícil? Já se encontra na lista de blogs, vamos nessa? Brigaduuuuuuuuu!!!!

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Auto-estima também é amor...


Narciso apaixonou-se por sua imagem. Descuidado, virou flor! "Meno male!"
Digamos que o narcisismo seja improdutivo, apragmático e até altamante destrutivo. Porém, a auto-estima em alta dosagem ou a ausência da mesma, transformam-se em graves sintomas de distúrbios psíquicos.
Conheci uma pessoa que após receber um elogio tornou-se insuportável e a sua beleza física pesou-lhe feito cruz.

Maldito elogio!

Maldita beleza!
Passaram-se anos, a beleza foi-se pelo ralo e a pobre mulher vivia correndo atrás de cremes miraculosos e tratamentos exóticos. O caminho não era por aí, sabe por que? Porque seu tratamento interior estava falido, ou seja, não leu, não estudou, não conviveu e, principalmente, não ouviu a quem deveria ouvir. Sim, saber ouvir é uma Arte das mais raras e aprender com o tempo, mais ainda.Quem buscar tenazmente, sabiamente, respostas às suas dúvidas, com certeza, vai reconquistar sua autoestima. A diferença entre narcisismo e autoestima é mínima, sutil, mas foi essa sutilíssima diferença que impediu Narciso de se auto-conhecer. Amarelou, murchou, feneceu. Saber que não somos só "um palminho de rosto" já é um bom começo. Entretanto, alimentar o cérebro com conhecimentos úteis pode ser tudo. Ama-te, mas saibas que o teu semelhante é o teu melhor espelho.

Salomão, entre todas as riquezas, só pediu um presente a Deus:

SABEDORIA.



Por uma questão de reformulação nos "Blogs Amigos", terei que retirá-los por algum tempo, mas voltarão, com certeza!
A Amizade, lógico, continua a mesma!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sob o Teu Manto Estarei Protegida...

Deixa-me tocar nesse manto perfumado pelas flores silvestres que nascem livres às margens do sinuoso Rio Jordão.

Permita-me lavar tua túnica com as minhas lágrimas que jorram como as fontes nos oásis em meio aos mais áridos desertos.
Já não te peço milagres, não necessito dos bens passageiros, pois sinto-te tão próximo ao meu coração que meu minúsculo ser inundou-se de tua Luz.
Às margens do Rio Sagrado nos sentaremos e o sol rebrilhará em tua pele e secará para sempre o meu pranto.
Não serei mais triste, ao contrário, e serenamente feliz hei de te sorrir, apesar das asperezas e torturas pelas quais tenho passado. Sem elas, bem sei, nunca teria me aproximado de ti. Realmente, hoje, sinto-me em estado de felicidade. Não a felicidade egoística, mas aquela sem verbalizações desnecessárias. Ser feliz no plural, por querer dividir tudo para com todos que de mim se aproximarem.
Percebo o teu olhar complacente a percorrer esse Rio lindo e piscoso, assim como teus ensinamentos percorreram todas as gerações que te buscaram e, até mesmo, àqueles que te recusaram. Só este olhar será o remédio único que irá curar definitivamente nossas feridas...só.

NOTA:

Esse texto não tem conotoção religiosa. Nasceu, exclusivamente, do Amor que sinto por Jesus. Sabe-se que o Mestre sempre foi O Melhor Amigo das Mulheres, principalmente daquelas que eram apedrejadas e condenadas pela hipocrisia humana.
Você ainda quer "atirar a primeira pedra"?
Pretende desafiar Jesus?



Esse vídeo merece ser visto! A Criança Divina aqui está...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Louca Passarada...

Eu tava lá no mato vendo aquele verde, tão verde que fiquei curada dos males do meu ego. Daí, fui abrir a janela e o que vejo por detrás da cortina? Ninho de passarinho com aquele ovinho minúsculo, azulado e veio a mãe passarinha para chocá-lo. Deixei. Não me meto com mães, ainda mais com mães de passarinhos. Na verdade, adorei que ela tenha escolhido meu quarto para servir-lhe de maternidade.
Lá fora, a cantoria era total : sabiás de laranjeira, bem-te-vis e até pica-paus no velho pé de jamelão.



Na infância, convivi com canários belgas amarelinhos que espalhavam alpiste no assoalho limpinho...


Por isso, hoje, só quero falar neles, os desconfiados passarinhos. Estão certos, por que deveriam confiar nos meninos e seus mortíferos estilingues?



Beija-flor bebendo mel, João de Barro construindo sua casa e lá no alto do galho da mangueira, a corujinha esperta a tudo assistindo.

E como já cantava Fátima Guedes, nada de perturbar a "doida, louca passarada".Deitei na rede e dormi...




AGRADECIMENTO:
Ao Amigo Daniel pelo Poema que nos presenteou. Na verdade, o próprio Poeta já é o nosso maior presente pelo seu cavalheirismo e gentileza. Obrigada!

sábado, 12 de setembro de 2009

Fuga por becos, libertação

Densa foi a noite enquanto a escuridão encobre estrelas. Parecia-me estar de olhos vendados e caminhando para a morte iminente, inglória, solitário fim. Instinto e intuição sopram em meus ouvidos:
- Fuja, eles virão em pouco tempo, te trucidarão e serás levada à arena ainda úmida do sangue sagrado dos cristãos.
A cabeça ferve, o coração altera seu ritmo e entra em descompasso. No desabalar da correria me desembesto pelo chão de terra batida de algum mundo incongruente fora ou dentro de mim mesma, fujo.
Sem gritar, sem gemer, oculto-me o quanto posso. Assim, fui ficando invisível, virei noite também. O inimigo estava à espreita e me caçava armado até os dentes, exército de lobos, uivos, muitos uivos.
Negrume sem fim até que avisto uma luzinha trêmula em um beco, uma viela estreita encoberta por ramagens vivas entranhadas entre si. Segui pelo caminho estreito sem pensar duas vezes. Bati em algumas portas implorando abrigo, mas ninguém socorre aos desesperados porque desesperados estão.
O medo ia me congelando as veias, mas um espinheiro rasgou-me a pele e o sangue brotou quente. Um naco de mim ficou por lá. Não faz mal, sempre deixamos algo para trás...
Pela fresta da janela uma mulherzinha encarquilhada com as mãos em concha sobre os lábios me reanima e diz ,sem convicção, que me safarei. Não lhe presto atenção.
Corro mais e apuro bem a audição: os uivos e ruídos desapareceram. Talvez tenham desistido, agarro-me a essa suposta esperança.
O casario desgastado se sucede, perco os sapatos e a cinderela castiga seus pés nas pedras pontiagudas, nenhuma dor, quero escapar, somente. Dia amanhece.
Cheguei!
Uma cerquinha tosca encerra a longa trilha. Preparo-me para o salto definitivo. Puxo todo o ar que me resta no peito e pulo como um felino para o outro lado. O cenário se transforma e automóveis ferozes deslizam em alucinada velocidade pela avenida larga da megalópole. Lobos de metais brilhantes, temo pedir-lhes carona, quase me atropelam.
Bem, pelo menos, por enquanto, estou livre!




Nota:
Texto baseado em sonhos recorrentes que não gosto de interpretar, nem tentarei. Basta-me que sirvam de fonte de inspiração.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sensorialmente...amo


Entras para o banho
Ouço os sons da água
Esguichando do chuveiro
Corpo sendo ensaboado
Minha imaginação percorre
Viaja rápida
A cada milímetro de ti
Perfume de um sabonete
Penetra fundo
Em minhas narinas sequiosas
Doce e delicado aroma
Já não sei se da tua pele
ou do produto em si
Não importa!
Agora que saíste da água
Toalha envolta à cintura
vens em minha direção
Caída ao chão sem função
Ficou a toalha
Quem a retirou?
Meu olhar te desvela
Respiro-te de um só fôlego
e totalmente
Nada mais há de perfumaria em ti
E meu olfato tanto, tanto se embriaga
que desmaio só ao recordar
Você inteiro
Só para mim...

Finalmente, a casa está pintada! É, mas só o interior dela, pois ainda falta toda a parte externa. Mais umas semaninhas de sofrimento. Pelo menos, ficou bonitinho, não ficou? E o vitral? Foi feito por mim!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Príncipe Maluquinho

Caratinga, Minas Gerais... terra do Ziraldo e de todos nós! Já estive lá, é linda!
A vitrolinha vermelha, o centro das atenções. Enquanto a agulha corria pela bolacha preta de vinil, um grupinho de adolescentes ouvia, sem ao menos respirar, a voz inigualável de Paulo Autran dialogando com um menino que não largava do seu pé, era o Pequeno Príncipe em disco, a grande novidade da época. Paulo interpretava o piloto sem sorte e impaciente que sofrera um acidente aéreo no deserto e que estava dando de cara com um menino muito estranho e questionador. A criança criticava os homens que só viviam para contar dinheiro e, sufoco dos sufocos, ainda lhe pedia para desenhar um carneiro. O resto, vocês já conhecem.

Esse foi um pedacinho daquela juventude meio hippie, meio idealista que a roda-viva tratou de dispersar, cada um pro seu lado, é a vida...
O desenhista, cartunista, escritor e gente boa, Ziraldo

Nesse meio tempo surgiu um mineiro. Pronto, chegou mineiro, pára tudo: era Ziraldo Alves Pinto, lá de Caratinga, o nosso "Piraldo", assim chamado por suas idéias muito férteis, até hoje. Outra turminha formou-se e fomos às bancas de jornais comprar, ler e, principalmente, comparar.
Os desenhos de Walt Disney, dono do pedaço!
"A TURMA DO PERERÊ", a primeira revista infantil co-lo-ri-da do país, coisa de louco, né? Walt Disney tomando conta do mercado infantil mundial e o maluqinho do Ziraldo nos dando assim, na boa, uma revista que tinha tudo de mais interessante e gostoso que o Brasil poderia conter. Tinha o "romance" da menina Tuiuiú e a célebre perseguição dos compadres caipiras à onça Galileu que, esperta demais, nunca se deixou apanhar e ainda tirava um sarro com a cara dos dois bobões.
A Turma que o Brasil esqueceu...

Não satisfeito, o mineiro dos coletes mais famosos do Brasil, me vem com um tal de "Menino Maluquinho", um garoto com um panelão na cabeça. Aí, o Principezinho pirou de vez. Ele era o maioral, o mais elegante e filosófico "guru" da moçada; capinha de veludo vermelho e aquelas lições infalíveis ("Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...").

Mas Maluquinho insiste e resiste ao príncipe francês interplanetário sem perder sua rebeldia terrena, brasileira. Ziraldo redescobriu a verdadeira criança brasileira, mestiça, esperta, pobre, mas com dignidade.
Pererê, Maluquinho, O Fantasma, Super-Homem, O Príncipe Valente, Mandrake, Capricho e suas fotonovelas, Sétimo Céu, Cinelândia (o cinema e suas divas), Terror (ai, que medo!), tinha de um tudo pra se ler, menos revista de mulher pelada. Lógico, haviam os desenhos eróticos do Zéfiro que circulavam, na moita, por debaixo das carteiras escolares, isso dava uma m...! Mas, no geral, no geral, a gente nem sabia como nasciam os bebês, depois é que veio a história da "sementinha na barriga da mamãe". Ficou sem graça. Particularmente, ainda sou adepta da velha e boa cegonha, bela imagem! Concordam comigo? Não? Tudo bem! Tamos numa democracia...
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UMA DO MALUQUINHO:
Tia perguntando pro menininho:
- Está gostando da escola?
- Tou não.
- Por quê?
- A professora não sabe de nada.
- É mesmo?
- É. Fica perguntando tudo pra gente...





Finalmente, para não cometer uma injustiça histórica, obrigatoriamente, temos que citar o Dr. Pedro Bloch que escreveu mais de cem livros sobre crianças e ainda nos deixou duas OBRAS-PRIMAS:
O querido médico pediatra e dramaturgo, Pedro Bloch.

1- "AS MÃOS DE EURÍDICE"

2- "DONA XEPA" (belíssima novela)

Pedro Bloch, invariavelmente, terminava suas crônicas bem humoradas, assim: "Criança tem cada uma!"
Agora, essa humilde blogueira que vos fala, só se pergunta com uma pontinha de tristeza: será que o "Príncipe Maluquinho" voltou mesmo, por vontade própria, para o seu planeta de origem ou fomos nós, "contadores de dinheiro", que o expulsamos para sempre da terra e das nossas vidas? Quem poderá me dizer?
PERNAS PRO ALTO QUE NINGUÉM É DE FERRO...


VOLTO NA PRIMAVERA: "Quando entrar setembro/ E a boa nova andar nos campos..." (Beto Guedes)
RETORNAREI OS COMENTÁRIOS DE TODOS OS AMIGOS, MESMO NAS FÉRIAS!!! Bjs