Ouricuri, coquinho comestível que se rompe em duas metades iguais. Na linguagem dos índios e cablocos alagoanos quer dizer, Pariconha, cidadezinha sertaneja com pouco mais de uma década de independência. Essa é a minha distante aldeia natal. É isso aí, nasci em Alagoas. Em eras passadas, dançar "o coco" era coisa só de homem e mulher solteira. Meu avô foi o mais reconhecido dançarino de coco de sua época. Ao morrer, só disse dois nomes de mulheres: Florence e Zabelê, suas fiéis parceiras de dança, e talvez de amores proibidos.
A moça criada no Rio, desconhece quase tudo que a rodeia e se inebria com os verdes roçados de doces melancias que serpenteiam caatinga adentro. Precisa reencontrar suas origens e pisa fundo no acelerador do jipe que sobe pelo serrotinho acima onde seus velhos e queridos avós construíram a casa branca de pedras. Salta e abre o portão de madeira que ao ranger, demonstra um queixume pelo abandono e a espera pelos longos anos sem carinho. Cômodos escuros e vazios. Não há como evitar as lágrimas...
As férias estão por terminar, mas a Rio-Bahia nos atrai e o mesmo jipão põe-se a rodar pela madrugada, ao encontro das luzes de Jequié. Daí para Salvador, é um pulo.
Baianinhas de rendas alvas ao sol, estendem seus tabuleiros de acarajés e outros quitutes pelas escadarias do Bonfim. Fitinhas coloridas, balangandãs e lembrancinhas balouçam com o impulso da brisa baiana. Alguém puxa-nos delicadamente pelo braço e nos segreda que necessário se faz que recebamos as devidas bênçãos dos Orixás, mas só depois de rezarmos uma missa ao Senhor do Bonfim, terra amiga e gostosa do sincretismo é essa primeira capital do Brasil.Nunca vou te esquecer, Bahia.
De volta à pensão familiar, um rapaz de camisa aberta, pondo à mostra seu másculo peito moreno, abraça a cintura do seu violão, deixando que a noite se escoasse bem dentro de mim no sem fim de Jorge Amado, Caymmi, João Gilberto, Caetano, Gil, Gal e tantos, tantos outros.
PS: Volto antes do Natal, tchau, tchau!
Mil e um beijinhos procês, e provem aí os coquinhos tenros do ouricurizeiro. Pode crer, nunca houve um sabor igual.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Poeminha do pastel de queijo
Se você vai se amarrar em degustar caviar
Se você quer mergulhar no vermelhão
Do molho do macarrão
Tudo certo! Tudo bom!
Coma lá o que quiser
E puder...
Eu, por minha vez,
Sou mais o popular pastel de queijo
Quentinho se derretendo
Ao calor da minha boca
E por ter-me sido ofertado
Pelo meu amor querido
Percorre bem aos pouquinhos
Os escaninhos desse meu
Simples coração
Sem frescura
Pé no chão

Se você quer mergulhar no vermelhão
Do molho do macarrão
Tudo certo! Tudo bom!
Coma lá o que quiser
E puder...
Eu, por minha vez,
Sou mais o popular pastel de queijo
Quentinho se derretendo
Ao calor da minha boca
E por ter-me sido ofertado
Pelo meu amor querido
Percorre bem aos pouquinhos
Os escaninhos desse meu
Simples coração
Sem frescura
Pé no chão

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sábado, 29 de setembro de 2012
A casa dos outros é melhor!
Quem sabe, aquelas reminiscências da infância, de brincar e curtir a casa dos coleguinhas, tenham uma razão mais profunda de ser?
Olhemos lá para trás, no alvorecer da humanidade, tribos nômades, as caravanas da rota da seda, e até os nossos indígenas, todos em constante mudança, todos sem fincar pé, sem criar limo na pedra.
Será que eles é que eram os atrasados, e nós, apenas nós, prisioneiros em condomínios fechados, os evoluídos?
O arquiteto, humanista e grande pensador, Sérgio Bernardes, com seus tantos milhares de projetos inteligentissimos, fez-me parar pra pensar por muitos anos em apenas um deles. Sua proposta era simples e (ainda) revolucionária: a troca de residências. Se você precisa se mudar de casa e alguém em outro lugar do planeta também, troquem de casa. Você vem pra minha, eu vou pra sua. Não é fácil? Você pensa assim? Não pensa?
Veja, a questão aqui não é só exterior e materialista, tudo pode ser e deveria ser resumido numa postura de confiança e respeito pelo outro. Não basta ir no cartório e firmar um título de propriedade ou um contrato qualquer, mudemos por dentro e mudaremos por fora. Sendo assim, todas as outras coisas se resolverão a contento. Isso, a meu ver, é que é ser moderno, o resto é enganação e individualismo no mais alto grau. Aliás, o nosso individualismo e egoísmo estão nos levando por caminhos cada vez mais desastrosos.
A palavra moderno, trouxe-me à mente a lembrança do gênio criativo de Chaplin que, ao levar para o cinema Tempos Modernos, tornou-se o pioneiro nessa idéia ao colocar um casal apaixonado, mas pobre, dentro de um shopping de luxo, onde ambos por uma noite apenas, absorveram dali todo o proveito de uma vida confortável e digna que jamais teriam pela frente. Viva o eterno Carlitos!
El Habitante Incierto do jovem diretor, Guillem Morales, e Casa Vazia do magistral coreano, Ki-duk Kim, chegaram agora para ampliar e dar força, pelo menos na ficção, de que o impossível pode e deve ser tentado.
Afinal, meus amigos, a única certeza que temos nessa vida é da impermanência das coisas.
"Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Só para não deixar de citar nosso poetinha, Vinícius de Moraes em Vinícius para Crianças, o álbum de músicas infantis mais bonito que já conheci.
E agora, posso ir na sua casa?
Olhemos lá para trás, no alvorecer da humanidade, tribos nômades, as caravanas da rota da seda, e até os nossos indígenas, todos em constante mudança, todos sem fincar pé, sem criar limo na pedra.
Será que eles é que eram os atrasados, e nós, apenas nós, prisioneiros em condomínios fechados, os evoluídos?
O arquiteto, humanista e grande pensador, Sérgio Bernardes, com seus tantos milhares de projetos inteligentissimos, fez-me parar pra pensar por muitos anos em apenas um deles. Sua proposta era simples e (ainda) revolucionária: a troca de residências. Se você precisa se mudar de casa e alguém em outro lugar do planeta também, troquem de casa. Você vem pra minha, eu vou pra sua. Não é fácil? Você pensa assim? Não pensa?
Veja, a questão aqui não é só exterior e materialista, tudo pode ser e deveria ser resumido numa postura de confiança e respeito pelo outro. Não basta ir no cartório e firmar um título de propriedade ou um contrato qualquer, mudemos por dentro e mudaremos por fora. Sendo assim, todas as outras coisas se resolverão a contento. Isso, a meu ver, é que é ser moderno, o resto é enganação e individualismo no mais alto grau. Aliás, o nosso individualismo e egoísmo estão nos levando por caminhos cada vez mais desastrosos.
A palavra moderno, trouxe-me à mente a lembrança do gênio criativo de Chaplin que, ao levar para o cinema Tempos Modernos, tornou-se o pioneiro nessa idéia ao colocar um casal apaixonado, mas pobre, dentro de um shopping de luxo, onde ambos por uma noite apenas, absorveram dali todo o proveito de uma vida confortável e digna que jamais teriam pela frente. Viva o eterno Carlitos!
El Habitante Incierto do jovem diretor, Guillem Morales, e Casa Vazia do magistral coreano, Ki-duk Kim, chegaram agora para ampliar e dar força, pelo menos na ficção, de que o impossível pode e deve ser tentado.
Afinal, meus amigos, a única certeza que temos nessa vida é da impermanência das coisas.
"Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." Só para não deixar de citar nosso poetinha, Vinícius de Moraes em Vinícius para Crianças, o álbum de músicas infantis mais bonito que já conheci.
E agora, posso ir na sua casa?
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Penélope das ruas
Ônibus lotado, setembro chegou, o calor dos corpos, suores, desodorantes no ar, cheiro de gente. Da janela, viam-se pequenos jardins onde minúsculas flores despertavam nossos sentidos com cores primaveris. Breve namoro com a natureza no caos da cidade veloz, feroz.
Vestido de tricô verde-claro, artesanal, ponto a ponto, ela trazia em suas robustas e calosas mãos, agulhas de tricô que se movimentavam magicamente, hipnoticamente céleres.
Os atropelos do veículo não alteravam o seu ânimo, tranquila estava, sentou-se ao meu lado.
Chegou o ponto final e desceu. Ainda a vejo parada na rua, Um pouco de verde na dureza cinzenta do asfalto, sol sobre sua cabeça de fios prateados. Novelo vivo de lã humana, tecelã dos nadas.
Penélope das ruas, anônima e solitária. Perdeu-se do meu olhar.
Vestido de tricô verde-claro, artesanal, ponto a ponto, ela trazia em suas robustas e calosas mãos, agulhas de tricô que se movimentavam magicamente, hipnoticamente céleres.
Os atropelos do veículo não alteravam o seu ânimo, tranquila estava, sentou-se ao meu lado.
Penélope das ruas, anônima e solitária. Perdeu-se do meu olhar.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Você sabe o que andam fazendo nossos vizinhos latino americanos?
Cinema, pra variar. E dos bons!
Tem sido uma atitude imperdoável para nós, brasileiros, ao longo de tantas décadas, ficarmos nessa atitude burra e esquizofrênica de ignorarmos os costumes, a vida e, principalmente, a cultura latino americana. Aqueles que gostam de simplificar as coisas, dirão que tudo se deve à nossa colonização portuguesa. Nada disso, sempre houve uma atitude, no mínimo, perversa em relação ao tratamento que damos aos povos que vivem coladinhos às nossas fronteiras. Bem, mas não vou elaborar aqui, a essa altura do campeonato, nenhuma tese sócio-cultural.
Voltemos às telas do cinema, e acompanhem comigo esses breves toques cinematógraficos - têm que ser breves, pois o que já assisti de cinema sul americano não caberia nem aqui, nem em mais dez resenhas seguidas.
Sabem quantos anos o nosso sofrido Paraguai ficou sem fazer cinema? Uns trinta e tantos anos, é brincadeira? Não, não tem nenhuma brincadeira nisso. Na verdade, nada tem sido fácil para os paraguaios desde aquela "guerrinha" em que o Brasil aniquilou sua florescente economia e trucidou quase toda a sua população civil. Quando ouço falar em guerra do Paraguai só sinto vergonha. Aquilo foi uma covardia histórica, pode crer!
Hamaca Paraguaya (Hamaca quer dizer, em guarani, rede de dormir) é um filmaço que dá de dez a zero em muita coisa que passa por aí com falsos requintes de cultura. Um trabalho simples, sem pirotecnias ou efeitos especiais retumbantes . Apenas um casal de idosos que vive isolado num sítio modesto, muito pobre e à espera do único filho que foi levado para a guerra, e nunca mais voltou. Um lugar onde só se espera por uma chuva benfazeja que nunca vem, mas no final da história, ouve-se uma trovoada, ou seja, a esperança da chuva que umidifica a terra e faz brotarem as sementes dos sonhos do povo paraguaio em dias melhores.
Em termos de filmes colombianos, temos dezenas de boas películas, mas o "Dog Eat Dog" (a tradução literal seria Cão Comendo Cão, mas ainda não há um título definitivo) tem um roteiro fascinante, sendo uma espécie de mistura psicológica, aliada a uma dose na conta certa de violência real e crua, mas sem cair no chavão da velha historia do tráfico de drogas que vivem a impingir à nação colombiana. Uma hipocrisia, já que sabemos de cor e salteado que o vício das drogas ilícitas - e também das lícitas - circula de ponta a ponta do planeta e, com muito mais frequência nos países ditos civilizados. Legal mesmo! Podem ver sem susto.
E os argentinos? Ah, esses então, não perdem tempo. Eles vão desde às fortes denúncias aos regimes totalitários, passando também por temas nunca dantes explorados, como por exemplo, o hermafroditsimo. Destacamos aqui a ótima atuação de Ricardo Darin, um ator do porte dos melhores do cinema internacional. Imbatível, esse Darin!
Agora, rumo ao Uruguai com "El Baño del Papa" (O Banheiro do Papa). Bem, como costumamos dizer por aqui, seria cômico se não fosse trágico. Uma pequena cidade do Uruguai aguarda e se prepara para a vinda do Papa, mas nem tudo sai como se prevê. Vale a pena parar para ver!
Há ainda a incrível biografia de Violeta Parra, desde a sua infância com um pai alcoólatra que só lhe deixou de herança a miséria e um violão,até o seu suicídio. Filme muito bem dirigido pelo diretor chileno, Andrés Wood, Violeta Parra foi para o céu é um primor em tudo, desde os cenários andinos, ao desempenho dos seus atores. Do mesmo diretor, temos ainda o "Machuca", um menino que sofre (e como sofre!) o terror da implantação da ditadura chilena. Vamos ver? Vamos sair da mesmice do nosso mundinho de faz de conta?
Gente, vou parando por aqui, mas não posso deixar de fazer uma "certa provocação" aos nossos heróicos cineastas brasileiros: amigos, aprendam a fazer cinema com os nossos vizinhos.
Tô indo nessa!quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Dinah, o rádio e a toalha de crochê
Cronista do cotidiano, sua voz pausada expandia-se das válvulas do rádio, insinuava-se pelos interstícios da toalha branca de crochê, percorria paredes, teto e espraiava-se nos tacos de madeira encerados do piso.
Dinah Silveira de Queiroz falava desde o homem simples na fila do ônibus até a babá namorando no parque enquanto balançava o carrinho de bebê. Porém, num dia qualquer do passado, colocaram um aparelho de tela cinzenta no lugar do velho e amigo rádio. Dali, surgiu a imagem de uma senhora elegante, de cabelos curtos, vestida de negro e uma bolsa idem sobre os joelhos. A escritora começava a ser entrevistada. Seu semblante era belo, mas havia uma certa estranheza naquele rosto impassível, dizem que Dinah tinha "uma beleza semita". No rádio era uma, na TV era contida, não demonstrava nenhum traço de emoção. Apenas seus lábios finos moviam-se. Mesmo assim, sua mensagem era interessante e inspirada, pois discorria com intimidade sobre seus personagens e, em dado momento, deixou escapar que os mesmos a visitavam em sonhos com cenário todo colorido e detalhado. Nada demais para uma das pioneiras da ficção científica no Brasil, sem contar suas incursões no gênero realismo fantástico que também a fascinava. Hoje em dia, poderíamos especular se ela sería médium ou paranormal. Aliás, particularmente, acredito que todo artista, poeta e escritor o seja, sem sombra de dúvida. O próprio Fernando Pessoa cansou de falar nessas coisas nos seus magníficos poemas. Bem, mas isso é uma discussão à parte.
Inesquecível criadora, pelo menos, dois dos seus romances foram fenômenos de vendas e adaptações na TV e cinema: Floradas na Serra e A Muralha.
E pensar que essa notável dama da nossa literatura já fez cem anos em 2011, mesmo já tendo falecido em 1982, aos setenta e um anos de idade!Quem se lembra? Ou melhor, quem procura relembrar a luta dessa mulher e intelectual de escol para nos legar essa obra imensamente diversificada?
Quanta falta fazes, Dinah! Saudade do rádio, do crochê, saudade também de mim.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Labaredas de Junho a Julho
Não, não é preciso ser religioso. Apenas venha, achegue-se a essas barraquinhas de cocadas, pudins, pamonhas, pés-de-moleque que os nossos ambulantes armam com carinho para melhor servirem ao povo que participa dos festejos juninos e julinos. Vale a pena quebrar aquela dieta chata e cairmos de boca nos quitutes ali expostos, essa é "a santa gula" que nenhum santo vai condenar. Ah, com certeza, não vai, não.Não fica pesado no bolso; um real daqui, dois dali, e está completa a deliciosa refeição.
Esperem, estou avistando daqui uma moçoila loura que, em desespero de causa, lança um bilhetinho sobre a cabeça de Santo Antonio. Pode ser que o seu amor tenha sumido na poeira da saia de uma morena e, coitada da loirinha, com o coração aos pedaços, suplica ao santinho já meio careca e abraçado ao Menino Jesus, que dê um jeitinho. Será que ele vai atendê-la? Mais uma dentada na cocada e lá vem chegando São João, ardente em fagulhas e labaredas, assiste ao preparo de batatas doces, mandiocas e milhos, sendo assados no braseiro. E a "santa gula" continua com um fervor sem igual. Vamos comer antes que sejamos comidos, essa é a palavra de ordem.
Pedro, circunspecto e sóbrio, resolve acabar com a brincadeira e, todo engomado nas suas vestes alvas, toma de uma enorme chave dourada e acabou-se o que era doce.
Anarriê! Vamos formar a quadrilha! Entendam, eu falei em quadrilha no melhor dos sentidos. É bom frisar bem isso, pois nos tempos que correm...bom, deixa pra lá!
Quando eu nasci, veio um anjo torto. Peraí, isso é do Carlos, o Drummond. Retomando a palavra: quando eu nasci, uma dessas faíscas atingiu o ventre da minha mãezinha quase torrando-me o pequenino e tenro cérebro, mas meu São Joãozinho permitiu que restasse por ali umas sobras de inspiração. Por isso, hoje aqui estou, torrando a paciência do leitor que ainda, pacientemente, me lê.
Na parte musical, vamos de Gal em Festa do Interior.Essa é pra sacudir o arraiá da blogosfera.
Olha a Bahia aí, Siba e Lúcia!!!
terça-feira, 12 de junho de 2012
Vovô, o homem invisível
Do minúsculo bolso do colete, ele sacava um papel amarfanhado, velho, gasto. Muito contrito, imbuído do fervor da fé, movia os lábios. Seus olhos, absurdamente azuis, passeavam, indo e vindo nas órbitas em perseguição às linhas mágicas já por demais decoradas e descoradas por sua imaginação fértil e madura.
Momento seguinte, lá estava o lépido velhinho, aquecendo-se no fogão à lenha, caneca fumegante de café na mão.
Vô, me conta, como aconteceu essa mágica? Pergunta o netinho mais esperto.
Qual mágica, filho? Responde ele, sem demonstrar nenhuma vontade de responder.
O sinhô tava rezando agora no oratório e agora, tá aqui tomando café com a gente. Vai, me conta!
Tomou mais um bom gole do líquido escuro e fervente quando, repentinamente, o brilho intenso do seu olhar tomou conta das nossas vidas... para sempre.
Nota: As duas imagens usadas aqui pertencem ao grande ator sueco, Max Von Sidow, fato que, além de nos honrar muito, vem de encontro à sua indicação ao Oscar passado, embora não tenha levado o prêmio, infelizmente, pois o merecia. Ator de obra extensa e de qualidades cênicas acima da média, Von Sidow foi um dos atores mais prestigiados pelos grandes diretores, como, por exemplo, Ingmar Bergman. Nesse seu último filme, onde faz o papel de velhinho misterioso e (talvez) mudo, ele prende a nossa atenção do começo ao fim. Claro, não vou contar o filme. Vejam e reflitam por si próprios, mas aviso: não é um drama lacrimejante.
Quanto às nossas férias, foram boas. Agradeço a todos que me deram apoio com as suas presenças e comentários.
Um beijo enorme!!!
sexta-feira, 4 de maio de 2012
As Aquarelas Vivas do João
Só quem já tentou pintar uma aquarela é que pode dizer da emoção, da euforia e também de uma pitada de dor ao manipular pincéis e paletas.
Corrigir algum traço ou cor mal distribuídos é impossível para um aquarelista. Daí, a tal pitada de dor a que me referi acima. Um simples traço tem que ser definitivo e tudo vai ficando ali, secando rápido. Quando você menos espera, a cor surge do nada, pequeno milagre das cores.
Digo que aquarela é vida porque na vida real não há rascunho, nada pode ser refeito, nem consertado. Se não realizarmos bem uma tarefa, bye, bye! Se acertarmos, que beleza!O coração se engalana e tudo é festa.
Uma flor não faz rascunho do seu desabrochar, ou abre suas pétalas, ou murcha. Essa é a dialética da vida, vamos aceitá-la, temos que aceitá-la. Lutar contra a lei da vida é burrice das mais grosseiras.
Um pintor de aquarelas se envolve até os ossos para concluir com êxito seu insano trabalho. Ali tem alma, tem arte e muito amor, amor estético, um íntimo prazer que só o artista experimenta.
Meu amigo, João Pinto Ferreira, é um dos mestres das aquarelas vivas mais sensíveis que conheço. A ele dedico essas poucas, mas intensas linhas. A ele agradeço a amizade e o afeto que nos une. E para informação ao público em geral, João é irmão da Graça, ou vice versa, a ordem de chegada não importa, são dois talentos que habitam entre nós e para o nosso deleite. Ele, nas Artes Plásticas. Ela, nas Letras.
Muito obrigada, amigo!
A primeira aquarela intitula-se Liquidâmbar no Outono, e a segunda é Camélia na Primavera.
Vão se deliciando aí enquanto tiro umas feriazinhas, ok?
Beijos! Eu volto!O Fundo, beleza de música com Leila Pinheiro, traduz muito do que tentei passar, vamos ouvi-la?
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Hoje é dia de Jorge, Ogum e El Khidir
Chamado de São Jorge pelos católicos, o bom guerreiro que enfrentou o dragão da maldade, o homem de Deus que salvou a donzela, detém uma tradição tão vasta que o aproxima de vários povos do mundo inteiro. Querem ter uma idéia? Na Síria, por exemplo, Jorge é reverenciado como o El Khidir.
El Khidir, o santo de turbante verde que só se apresenta aos que ainda conservam a pureza no coração, aos que estendem sua mão para os mais necessitados.
Nas religiões afro-brasileiras, ele é sincretizado como Ogum, um guerreiro destemido de espada em punho, montado no seu cavalo branco, percorrendo estradas e socorrendo os que são perseguidos por inimigos cruéis, fechando seus corpos, impedindo que penetre neles os olhos do mal, os chamados olhos grandes dos perversos e invejosos.
Em cada casa humilde, em cada estabelecimento comercial, principalmente nos pequenos bares, os chamados pés sujos, há uma imagem de São Jorge com uma lâmpada vermelha, luzindo de forma perene.
Fernandinha Abreu canta a oração de São Jorge. Salve, Salve, Jorge!
Fernandinha Abreu canta a oração de São Jorge. Salve, Salve, Jorge!
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