quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Eiji Okada Mon Amour

Devo confessar-lhes que o meu primeiro grande amor juvenil era nipônico. Na verdade, quando assisti Eiji Okada (1920/1995) em Hiroshima Mon Amour, percebi que ele era um homem diferente e nas pesquisas para esse post ficou-me constatado que Eiji desfez o estereótipo tradicional do samurai assustador e feroz. Eiji Okada só fazia papéis sensíveis, bem elaborados e até cômicos.
Por algum motivo, após o estrondoso sucesso de Hiroshima Mon Amour, dirigido por Alain Resnais e com o roteiro da escritora Maguerite Duras (O Amante), esse excelente ator não seguiu para Hollywood (fez duas pequenas participações) e preferiu montar sua própria companhia de teatro ao lado da esposa, Aiko Wasa. Porém, sua filmografia no cinema japonês, embora considerável, é pouco conhecida do público ocidental.
A origem de Eiji Okada é pouco divulgada e incompleta. Ele nasceu em Chiba (lugar de turismo marítimo no Japão); entrou para o exército japonês e chegou até a trabalhar em minas de carvão. Pode-se deduzir por aí que era homem oriundo de família de poucas posses, mas estudou na Universidade de Keio. As informações biográficas são dificílimas de serem obtidas e paro por aqui. Quem souber mais, por favor, nos informe.
Além, muito além de deixar aqui registrada a minha imensa admiração por Eiji Okada, gostaria de falar um pouquinho do que entendo sobre o Japão como nação e povo.
No Japão existe um equilíbrio total entre tradição e modernidade, sem contradições. Como eles conseguem isso? Não sei, mas tenho um palpite: educação e respeito no mais alto nível.
Os japoneses têm uma relação tão estreita com a Música Brasileira que detêm o maior acervo do mundo das nossas obras musicais. Fazem desfiles de escolas de samba no carnaval e curtem muito os nossos artistas em suas turnês por lá.
Não deve ser surpresa para muitos que as artes plásticas japonesas influenciaram diretamante o Impressionismo Francês. Aquela luz e o pontilhismo não são frutos exclusivos da imaginação dos impressionistas, embora isso não lhes tire o mérito, os artistas japoneses já eram Mestres desde muitas e muitas eras.
Os miniaturistas japoneses são famosos por suas paisagens em cabeças de alfinetes. A arte do Ikebana é praticada até nos treinamentos dos policiais japoneses. O que dizer também do trem bala e do avanço da robótica? Eles dominam a papa fina da tecnologia no mundo. Falaria também da arquitetura planejadíssima para diminuir os fortes impactos dos terremotos. Gastronomia requintada só se tem no Japão e fim de papo. Aceita um sushi? Citar o Mestre Kurosawa que está no topo dos maiores diretores de cinema do mundo também vale a pena, mas precisaria mesmo de uns dez posts para nos aproximarmos da cultura japonesa e isso só na próxima encarnação. Falando nisso, mencionemos o culto aos antepassados e o respeitoso tratamento à memória dos que partiram.
Vamos ao nosso momento musical?
Kyo Sakamoto, em 1963, nos legou o Hino de Amor ao Japão em "Sukiyaki". Composição de Ei/ Nakamura que com esse título foi lançada porque nenhuma língua ocidental foi capaz de traduzi-la como deveria, essa canção incrível está entre as cem músicas mais românticas e mais cantadas em todo o mundo. A tradução que aqui coloco é aproximada. Por isso, chamo ao palco a nossa Embaixatriz do Japão no Brasil, ANDRÉIA ARAKAKI: linda, delicada, discreta e muito inteligente. Pois é, misturou o sangue brasileiro e o japonês e ela aqui está, felizmente, entre nós e nos prestando uma assessoria completa. Explica tudo pra nós aí, Déia! [risos]. Brasileiro é muito enrolado nessas coisas...mas a gente se esforça!
LETRA APROXIMADA DE SUKIYAKI - No Brasil, foi interpretada pelo Trio Esperança e Daniela Mercury.
"É tudo por sua causa/ Que estou me sentindo triste e deprimido/ Você foi embora/Você foi embora/ Agora minha vida é apenas um dia chuvoso/ Eu te amo tanto/ Um tanto que você nunca vai saber/ Você foi embora e deixou-me solitário/ Memórias intocáveis/ Parecem combinar e querem me caçar/ Amor tão verdadeiro que tornou o azul do meu céu em cinzas/ Mas você desapareceu/ Agora meus olhos estão cheios de lágrimas/ Eu queria tanto que você estivesse aqui comigo/ Cheios de amor os meus pensamentos em você/ Agora que você se foi eu não sei o que fazer/ Se somente você estivesse aqui/ Você limparia minhas lágrimas/ O sol brilharia/ Novamente, você seria minha, toda minha/ Mas na realidade seu amor nunca terei/ Pois você levou seu amor para longe de mim...Sayonara!"
Post dedicado à Colônia Japonesa no Brasil que, com a sua honradez e trabalho silencioso, fizeram e fazem nosso país melhor e mais civilizado.
Beijos Carinhosos ao Povo do País do Sol Nascente e seus Descendentes no Brasil!
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" Vem comigo pro matagal!" é um blog novinho que estou começando agora. Nada de pretensioso. Tudo verde, tudo simples como deveria ser a vida. Está na relação dos nossos três blogs. Aguardamos sua visita.Vem!
O desenho acima só poderia ser presente da Déia! Valeu, amiga!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Feira Moderna e Maldita

E já era profético nos anos 70. Tava lá, Beto Guedes no Clube da Esquina, falando das coisas materialistas e ácidas acontecendo adoidado e que já nos rondam e invadem nossas tristes vidas.
" Tua cor é o que eles olham, velha chaga
Teu sorriso é o que eles temem, medo, medo
Feira moderna, o convite sensual
Oh! telefonista,se a palavra já morreu
Meu coração é novo
Meu coração é novo
E eu nem li o jornal
Nessa caverna, o convite é sempre igual
Oh! telefonista se a distância já morreu
Independência ou morte
Descansa em berço forte
A paz na terra, amém!"

O admirável futuro novo dessa internet vulgar que não te serve para nada e que te cerca na caverna em que morres de medo do medo. Um jogo de esconde-esconde onde todos são bandidos e os mocinhos viram estátuas de sal. Intrigas se multipicando e por que ainda aqui estou? Talvez a minha simples presença faça alguma diferença, como a sua, como a de meia dúzia de Dons Quixotes. Talvez.
E essa ilha da fantasia desvairada onde tudo é novo, onde o sexo é fácil com inundações de mulheres loiras, ruivas, morenas, todas belas e siliconadas se entregando a homens sem alma, é assim que tem que ser? Tão tudo aqui, tudo ao alcance e ao não-alcance da mão, da visão. Da nossa eterna cegueira de internautas que nos julgamos espertos, bons, matreiros, mas que não passamos de uns atoleimados.
O materialismo nosso de cada dia está nos mouses dos PCs disparando falsidades, mentiras, maldades, e as guerras dos hackers metralhando nossas máquinas, enviando-nos e-mails bloqueados e falcatruas digitais o quanto as tiverem. Não entenderam o recado? Pois que fiquem na omissão em que vivem e, por favor, não me encham o saco. Sacos de laranjas podres, gente ruim e obscura. Não sou eu que vou me aborrecer por isso.
Recantinhos sórdidos vão proliferando e vamos levando e cantando...
Betinho Guedes, tímido, mineiro bão que com Lô Borges e Fernando Brant irritaram e irritam o mau-caratismo nacional com a sua crueza proposital. Pois que continuemos a jogar o cacete da verdade nas caras dos que ousarem falar, da boca pra fora, de amor e poesia mas que escondem em seus corações odores fétidos do mal que rescendem a ódio e vingança.
Feira Moderna e Maldita! Viveremos para celebrarmos o retorno da Ética e do verdadeiro Amor numa Feira Livre e cheia de Esperanças!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um filme muito especial...

AS COISAS MUDAM
Na linguagem dos cinéfilos diz-se "filme cult" àquele que não se propõe a estourar a bilheteria, pelo contrário, há um público seleto e pronto para absorvê-lo.
David Mamet sempre foi um estupendo roteirista e seus filmes têm cem por cento de unanimidade, são excelentes.
Não adianta classificar As Coisas Mudam como comédia ou drama, nem uma coisa e, muito menos, a outra. Trata-se de um filme, realmente, diferente e que requer um olhar atento do espectador.
A HISTÓRIA:
Um humilde engraxate, Gino (Don Ameche), é confundido com um chefão da máfia que deverá ser julgado. Mais um filminho de máfia? Ledo engano, amigos! Vamos adiante.
Jerry (Joe Mantegna) e seus comparsas "convencem" o pobre Gino a ser julgado no lugar do réu verdadeiro, o tal mafioso e, em troca, o "convencem" a receber como recompensa um simples barquinho de pesca. Gino não esboça qualquer reação de raiva ou revolta, aceita o trato com um certo fatalismo e tranquilidade.
Daí por diante, Jerry, o mafioso atrapalhado, torna-se a sombra do coitado do sapateiro que de coitado não tem nada. Gino é um homem extremamente observador e em paz consigo mesmo, daí o seu bom-caráter acima da média. Honesto, honestíssimo.
As ações transcorrem e ambos vão parar no paraíso do jogo que é Las Vegas e, justamante, no ninho e covil dos maiores bandidões da máfia. Gino permanece impávido, comporta-se com parcimônia e, sem querer, atrai as atenções do manda-chuva que se torna seu melhor amigo e confidente. As cenas aqui são de uma leveza e ternura incomparáveis. Dois homens sonhando com coisas simples da vida onde a grande diferença está em que um deles é miserável e o outro tem tudo em termos de bens materiais. E chega a hora da despedida. O ricaço se emociona e lhe entrega uma ficha telefônica dourada com uma recomendação expressa: "- Qualquer problema, pode me chamar, vou te ajudar!"
Chega o dia do tal julgamento e Gino está preparado para sentar-se no banco dos réus onde recebe a absolvição e soltura. Solto, mas sem liberdade, pois sua morte já está prestes a ocorrer. Gino tem sexto sentido e percebe algo de diferente no ar. Vai ao telefone público e usa a ficha dourada e personalizada do amigo mafioso que cumpre sua palavra, livra-o da sentença dos criminosos da máfia.
Conclusão: Jerry, o mafioso doidão apega-se tanto ao exemplo de vida de Gino que acaba também sendo engraxate na lojinha simples daquele homem bom e despretensioso.
Acharam sem graça? Vejam o filme, mas o vejam com os olhos da alma e aí, só aí, poderão enxergar o valor de se fazer boas e duradouras amizades, sem vaidades ou outros artifícios materiais.
Um destaque aqui para o super ator Don Ameche, o velhinho arrasa em termos de interpretação e não desgrudamos os olhos dele por um segundo. Não tem mulher nua, nem violência, apenas talento de verdade.
O que David Mamet quis provar? Simples, né gente! Não precisa dinheiro a rodo para se fazer um filme de qualidade e de boa estrutura dramática. Qualidade é mais que quantidade, eis a fórmula mágica.
CANTANDO...
Barbra Streisand com seu eterno carisma em People.
Até!


PEOPLE
Pessoas
Pessoas que precisam de pessoas
São as pessoas mais sortudas deste mundo
Somos crianças
Que precisam de outras crianças
Que também deixam o orgulho de serem crescidas
Escondendo tudo o que sentem lá dentro
Agindo mais de forma infantil que as crianças
Amantes são pessoas muito especiais também
Eles são as pessoas mais sortudas deste mundo
Com uma pessoa
Uma pessoa muito especial
Um sentimento lá do fundo de sua alma
Que diz que você estava incompleto,agora está cheio!
Sem mais fome,ou sede
Antes de mais nada,ser alguém que precisa de uma pessoa!
Pessoas que precisam de pessoas
São as pessoas mais sortudas deste mundo!
Uma pessoa muito especial
Sem mais fome,ou sede
Antes de mais nada,ser alguém que precisa de uma pessoa!
Pessoas que precisam de pessoas
São as pessoas mais sortudas deste mundo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cultivando a Terra e a Paz

Cultivando a terra, encontro as flores do céu. Terras no céu, jardins de galáxias. No planeta que habitamos a agricultura fez-se por mãos femininas. Muitos pensam que a embrenhagem verdejante da Amazônia é obra do acaso e da selvageria das matas. Que nada! Que nada! Selvagens são as tribos das cidades do progresso e das fumaças.
Portanto, e por tudo isso, mulher, flor e igarapés se confundem e se fundem numa só argamassa onde fêmeas formosas erguem-se em florestas eternas em plena procriação.
Feminina deusa, lança tua flecha e chama teu exército de amazonas. Lutemos hoje para colhermos os frutos amanhã, mas não sem antes atravessarmos o inferno, já que teremos que purgar as dores da existência e do contrasenso humano. Um dia, por fim, beberemos água de um riacho límpido e claro de paz, tão esplêndido que as plantas e os bichos nele serão refletidos.
A música As Forças da Natureza veio em nossa ajuda com o seu brilhantismo e a garra da nossa "mineira guerreira", Clara Nunes e o timbre de ouro do nosso saudoso João Nogueira.

Que honra para o Brasil! Que glória para a nossa Mãe Terra!
Cantemos juntos por nosso planeta:

"As pragas e as ervas daninhas
As armas e os homens do mal
Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval..."

Clara...Claridade...inesquecível intérprete da nossa música

domingo, 25 de julho de 2010

Eliza e o Moinho


Um bebê é arrancado dos braços da mãe que já goteja sangue da cabeça, após uma coronhada certeira. O homem corpulento torce-lhe o pescoço, retira-lhe as vestes e arrasta o corpo nu até uma mesa de açougueiro.
Pedaço por pedaço, naco por naco, tudo se transforma numa massa disforme de músculos, cabelos e muito sangue. Eliza está sendo desossada com destreza pelas mãos de um ser sombrio e incapaz de um minuto de remorso.
Os cães da fazenda mineira farejam o odor estimulante do sangue e uivam, exigindo sua parte. Conseguem mais do que isso, pois o verdugo de Eliza atira-lhes as partes moles e até as mãos com as unhas ainda esmaltadas de cor vermelha.
Eliza errou por ser uma prostituta? Pois saibam que no nosso Código Penal se um homem forçar uma relação sexual com uma mulher dessa profissão, estará incorrendo em crime.
Eliza calou-se, mas a minha angústia aumentou por ela, por vocês e por todas as mulheres que se envolvem com “atletas de aço", frios e endinheirados. Não consigo virar uma avestruz e enfiar a cara num buraco, fingir que o lado obscuro do homem não existe. Gostaria que tudo isso tivesse nascido da minha fértil imaginação, mas aconteceu e, não tenho dúvidas, continuará a acontecer e a ser encoberto na impunidade e injustiça em que vivemos.
Mestre Cartola, certa vez, percebeu que sua filha estava trilhando caminhos estranhos. Não quis repreendê-la com dureza, mas compôs uma peça musical de rara beleza e sensibilidade onde profetizava o triste fim de todas as Elizas: O MUNDO É UM MOINHO.
“Ouça-me bem, amor. Preste atenção, o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó... “
Quem interpreta é a nossa Beth Carvalho a quem tive o prazer de conhecer, ótimo ser humano. Interpretação intensa, letra que diz tudo. Solta a voz, Beth!!!
Estou indignada! Chorei muito para escrever estas linhas...
Indignem-se!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pequenas (grandes) Alegrias


Quando comecei a orientar-me nas Letras, deparei-me de chofre com Hermann Hesse e o seu Lobo da Estepe. Hesse, Nobel da Literatura em 1946, foi um autor ímpar, não dava moleza à burguesia, não fazia concessões aos que queriam entretenimento fácil, não falava de amores, e sim, de AMOR. Sua vastíssima obra é uma riqueza de miríades de temas intrigantes, fustigantes mesmo. Mas o seu monumental O Jogo das Contas de Vidro continua a desafiar leitores e críticos literários até os nossos dias: complexo, sutil, sem dar lições, sem fazer joguinhos de palavras com ninguém, e quem já viu autor alemão perder tempo com quinquilharias literárias?
Entretanto, há um único livro em que Hermann Hesse nos permite entrever seu cotidiano simples e descomplicado, antes de sua partida desse plano terreno (ele era hinduísta), o livro chama-se Pequenas Alegrias. Passava dias a fio a pintar suas aquarelas na sua residência em Locarno, na Suiça. Conta-nos, em certo momento, que uma cerca de madeira quebrada e invadida pelo mato tomou-lhe tanto a atenção que dali não saiu enquanto não a pintou.
Daí, peço licença ao meu inesquecível Mestre para mostrar-lhe um pouquinho do que ainda acalenta a minha vida de mulher comum, alguns breves momentos, jardins, coisas aparentemente sem importância, mas que me arrebatam de alguma forma.
Um mini jardim que me dá flores e arranca-me sorrisos de contentamento...
A bonequinha cigana que dizem trazer dinheiro, ainda estou esperando...
Uma gostosa soneca nos dias frios de inverno, tem coisa melhor?
Minha sincera gratidão ao velho Lobo da Estepe! Jamais te esquecerei Hermann Hesse, autor do belíssimo Sidarta, um dos meus companheiros de cabeceira.
"Contemplação, não é pesquisa ou crítica; ela nada é senão amor. É o mais nobre e desejável estado da nossa alma: um amor sem desejo." [Pensamento de Hermann Hesse]
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A Espanha com a sua Fúria mostrou ao mundo que respira, que tem fôlego. Pudera, uma nação que dispõe de artistas dos naipes de Pablo Picasso, Pedro Almodóvar, Carlos Saura e Javier Barden, apenas para citar alguns da atualidade, não pode deixar de ser amada e, se possível, seguida.O povo espanhol tem mais é que comemorar e ser abraçado pelo mundo afora. De minha parte, aquele abraço!!!
Luis Miguel, o cantor preferido de Sinatra, aqui, numa interpretação magnífica de El Dia en que me Quieras.
Vamos nessa, meu lindo?! Canta pra nós!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

KÁTIA, a dor que virou Amor

Caminhante de bolhas sanguinolentas nos pés, ela atravessou e trespassou nossos corações com suas dores engolidas a seco nos bancos e brancos dos frios hospitais. Remédios e pílulas em suas mãos perfuradas pelos soros nas veias. Via-crucis para ela e para todos nós. Ficava eu engrolando rezas nas noites de travesseiros sem sono, como uma doida e doída criatura. E o sofrer não passava e, maldosamante, aumentava. Ai, quando, quando passará?
E quando nem imaginávamos, passou.

KÁTIA RENASCEU

Renasceu com a mesma integridade de caráter que sempre teve: sem contar tristezas, sem lamentações pelos cantos obscuros de si mesma. Retomou seu novo caminho e nos ensinou a antiga e nova arte de sermos humanos, gente. Pegou do seu chapeuzinho e retomou sua caminhada para onde quiser ir.
Parece homenagem e é homenagem. Pode ser também a constatação de que Kátia soube transmutar, tal suave alquimista que é, a dor lancinante da sua doença em AMOR abrangente a quem de si se acercar.
Trouxe-te flores, Kátia, clicadas por aí, nas minhas manhãs frias de orvalho, aceite-as, por favor!
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Uma música sempre pega bem!
Custódio Mesquita, rapaz rico e boêmio, lá pelos idos dos anos 30, compôs Mulher e para dedicá-la à Kátia só poderia ser com Maiúscula, nada contra as mulheres minúsculas, elas que cresçam também com o sofrimento e com o que a vida tanto tem a nos oferecer e ensinar.
A voz é do grande intérprete Emílio Santiago.
Tchauzinho amigos!!!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Religare, a Virgem de Guadalupe

O momento em que as rosas são ofertadas às autoridades
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Cheguei hoje bem cedo, fui dar uma voltinha pelas redondezas, gosto do frescor das manhãs, colocar certos pensamentos em alguma ordem. Alguma. Meu niver, chamo pelo Gui e lhe dou aquele abraço. Ele ousa dizer a minha idade, finjo que estou zangada. Sorrimos, ele pega a tal máquina e vem tirar-me umas fotos. Duas, aqui estão.


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Esse post de agora não tem nada, nadica de religião, digamos que seja de reflexão. Ajudem-me! Quero e preciso refletir com vocês.
Não falo de religiões nem de dogmas. Não é por nada, não. É que muitos já o fizeram e até mais embasados que eu. Mas sou meio que chegada aos mistérios, ao insondável. Sou apenas alguém que, no meio de um bate-papo, diz: "- Puxa, aquilo mexeu comigo, vou pesquisar mesmo sabendo que as respostas não são fáceis de encontrar e, por vezes, são impossíveis!"
Para quem gosta de semântica é preciso que se diga o mínimo, ou seja, o re-ligare: algo que se desprende de nossas almas e se reencontra, se religa a um Princípio transcendente, a uma religião mesmo, a Deus, enfim. Tenho Fé, mas uma Fé esquisita e que gosta de questionar e que também se desliga. Sou tremendamante humana e comum, não me peçam o que não posso dar e cada um só dá o que tem, já dizia a sabedoria popular.
Por exemplo, na viagem ao interior de São Paulo, passamos pela Basílica de Aparecida. Não fiz nenhum pedido, entretanto, não desacreditei dos milagres. Comecei aí a fazer uma outra viagem paralela, dei um pulinho hipotético ao México para ver "La Morenita", a Virgem de Guadalupe.


A verdadeira imagem gravada a cores na tilma do índio
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Um índio, vestindo um tecido rústico de cacto vê uma senhora de pele trigueira. Começam uma amizade muito especial. Ela o consola pelo trabalho duro e semi-escravo. Ele, Juan Diego, é um pobre indígena, vale menos que um cão. Para que ele se alegre, recomenda-lhe que plante um roseiral em pleno deserto sob o sol inclemente. Ele não a questiona, o roseiral nasce e produz as mais incríveis rosas da localidade. Juan é um homem de ótima índole e obediente à religião do seu país. Vai ao Bispo e faz-lhe um relato perfeito do fenômeno que está lhe ocorrendo. Mas uma autoridade eclesiástica não pode crer sem provas. A palavra de Juan nada vale, ele sabe. Mas insiste em levar o caso até o fim. Corre até sua senhora que o aconselha a recolher muitas daquelas rosas e, simplesmente, as ofertar ao Bispo. Vejam que mente estupenda a desse homem: obedece e segue os poderes terrenos, mas não abre mão da sua Fé e quer ir além, quer prová-la.
Reconstituição do índio Juan Diego a partir dos olhos da Virgem de Guadalupe

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Data marcada, o moço com sua tilma repleta de rosas está só e frente a frente com os poderosos. Coloquemo-nos no lugar desse rapaz que viveu por volta de 1500. Coração convicto e respeitoso, mas teimoso, não desafiador, mas humanamente teimoso. Em poucos minutos, sem dizer palavra, solta a aba da sua veste e deixa cair ao solo as rosas mais coloridas e perfumadas do seu jardim seco sem uma gota de água. Ao fazê-lo, surge uma imagem esplêndida de uma mulher morena e com os olhos semi-cerrados. Foi um abalo geral! Não, não paremos por aqui. Pesquisas profundas e criteriosas revelaram que toda a cena daquele momento ficou gravada nas íris dos olhos da morenita. Lá estão os retratos dele mesmo, Juan Diego, do Bispo e de uma pequena multidão. Quem crê? Quem não crê? Não importa. Juan Diego, na sua simplicidade de representante das culturas pré-colombianas (Maias, Incas, Toltecas, etc.) hoje é considerando Santo, foi canonizado em 2002, tardiamante. Aliás, o único Santo Índio de todos os tempos. Ele previa isso? Sonhava com tal santidade? Não, nem que quisesse, valia menos que um animal, era analfabeto, paupérrimo. Tanto a aprendermos com essa lição, não é mesmo?
Não seria bom para todos nós se pudéssemos ver além do nosso pobre ego? Miserável ego. Quanto tempo dura um ego? Quanto vale um ego?
Hoje me encontro além dos vinte anos (estou brincando, tengo uno bocadito mas), o que aprendi? O que posso fazer por meu próximo? Quase nada. Nada.
Agradeço aos meu queridíssimos amigos pela generosidade para conosco e ao meu filho que, apesar dos seus inúmeros afazeres, cumpriu o que tínhamos acordado, respondeu com gentileza a todos que por aqui passaram.
Um carinho à nossa colega e suave amiga, Kátia de Carli que se encontra enferma, a moça do Caminho de Santiago, lá do blog Múltiplas Faces. Vamos levar-lhe as Rosas da Fraternidade, custa alguma coisa? Encontrem-na na nossa lista de blogs, por favor. Ela não vai poder retornar os comentários, mas isso tem mesmo importância? Números ou Afeto?
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A Cidade do México, tão bela e amada, problemas? Todas os têm!
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Recadinho a quem interessar possa:


Plantar rosas no deserto...
Desertos reais e virtuais
Quantas incompreensões
Infâmias em forma de
Comentários
Indignidades
Que encontrei ao chegar
Devo mostrá-los?
Não sei...

Na verdade, não
Que fiquem a falar sozinhos
Continuarei a colher rosas
Para as nossas Morenitas
De Aparecida e Guadalupe...
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Renato Teixeira, o nosso paulista de Taubaté, compôs a consagradíssima "Romaria" quando, tomado por uma emoção fortíssima, viu o povão brasileiro buscando os milagres da Nossa Senhora de Aparecida. A música aqui está sendo interpretada por Rolando Boldrin e Fafá de Belém, bela dupla!
"COMO EU NÃO SEI REZAR/SÓ QUERIA MOSTRAR/MEU OLHAR/MEU OLHAR/MEU OLHAR..."

É, não tá nada mal! [risos] Amiga Ná, o que posso dizer-te?

Deus e Nossa Senhora a protejam e guardem!

Obrigada, de coração!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Feliz Aniversário, Mãe!

Você quis que eu falasse do meu aniversário, mas só o seu me interessa. Tem musiquinha, quer ouvir? Aquela que você canta toda hora: "Um Dia de Domingo" com Tim Maia e Gal Costa.
Tô com saudade, mas fica feliz, você merece esse passeio!
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Ass.: Guilherme Pantaleão
*Fotos tiradas por mim dias antes das suas férias.
*Dia 25/06 é o seu aniversário, desculpem-me pela falha!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Shame on you!

Uma flor, uma única flor nascida entre as pedras pode ser mais forte que as botas daquele que tenta esmagá-la...
*NENHUMA CRÍTICA, EXPRESSA OU VELADA, A QUAISQUER CREDOS RELIGIOSOS. RESPEITO TOTAL À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL. NO DEVIDO TEMPO, EXPLANAREMOS MAIS SOBRE A TEMÁTICA AQUI PROPOSTA. AQUI, FAZEMOS POSTAGENS CULTURAIS E DE INTERESSE PÚBLICO. PODEM E DEVEM EXPOR SUAS DÚVIDAS, ABERTA E RESPEITOSAMENTE. OBRIGADA!

Tenha vergonha!


Envergonhe-se!

Ajoelhe-se

Peça piedade aos céus...

Peça com vontade

Não serás atendido

e sabes o porquê

Tente chorar

Mesmo sem vontade

As almas de suas vítimas

aguardam, pacientemente, por isso

Peça, peça piedade

Envergonhe-se e depressa!

Shame on you!

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CAZUZA:

Blues da Piedade

"Vamos pedir piedade

Senhor, piedade

P'ressa gente

careta e covarde..."

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Obs: Não estou aqui querendo números ou pretendendo gerar polêmicas com colegas. A questão é grave e estou tentando fazer uma chamada à consciência de uma pessoa que tenta usar e abusar da boa-fé de muitos daqui. Será que terei que botar o dedo nessa ferida?

Coragem não me falta, acreditem!