terça-feira, 6 de novembro de 2018

Vou voltando aos pouquinhos, muitas histórias pra contar, muitos silêncios sem poder explicar...




terça-feira, 21 de julho de 2015

Férias - Vou andar por aí!

"Vou andar por aí
Perguntar por aí
Pra ver se encontro
A paz que perdi..."

Volto, mas não sei quando volto
Por que?
Porque sim
Ah, sei lá porque..
E sai da frente que o meu carango tá passando!






quinta-feira, 2 de julho de 2015

Essa alma livre - por onde esvoaçará?


É fato, não há liberdade nessa terra, essa alma que se diz livre, por onde esvoaçará?
Entre anjos e nuvens de algodão, por aí, ou por lugar algum.
A luminosidade do sol oculto é pouca, labirintos de espelhos refletem tudo, nada refletem.
E eu, simplesmente
cega
Vejo
Quanto ao amor
Talvez
Possa salvar
Talvez, com muita sorte...
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Flávio Venturini, lindo, e ainda por cima, compõe e canta Noites com Sol...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Coelhos e Canteiros - Esse final não pode ser feliz

Uma família que se isola desse injusto e conflituoso mundo pode ser feliz sozinha e a todo custo?
Mark e Gê se adoram, mas não encontram - e talvez nunca venham a encontrar - a receita dessa tal felicidade.
A filha, Anabela, será uma jovem culta e educada, mas conseguirá se tornar uma pessoa de caráter bom e fraternal?
Quisera eu, como autora e otimista incorrigível que sou, colocar como ponto final desse conto um simples "happy end".
Mas não dá!
Necessário se faria que o nosso planetinha fosse um lugar utopicamente bem distribuído entre todos os credos, raças e coisas que tais. Mas tá na cara que utopia não existe, e jamais existirá porque ninguém quer abrir mão de um mínimo dos seus privilégios, ao contrário, quanto mais se tem, mais se quer. Vivemos em tempos de TER e não de SER.
Daí,  tendo em vista argumentação tão óbvia, deixo em aberto o fim dessa historinha.
O que podemos mesmo contar de bom e de alvissareiro é que Castanho, o coelhinho fujão, voltou para os seus donos com uma família e tanto de dezenas de coelhinhos também devoradores de todos os canteiros verdejantes do novo jardim que ali foi cuidadosamente cultivado.
Ah, se pudéssemos ser livres, gulosos e safadinhos como eles!
Encerramos por aqui, amigos. Obrigada por me aturarem!
Beijos...

quinta-feira, 12 de março de 2015

Coelhos e Canteiros - O Bem sempre afasta as sombras do mal

A casa onde Mark se hospedara localizava-se numa antiga e pequena vila de camponeses. Em frente a mesma, avistava-se a paróquia do octogenário padre Simão que vez por outra lhes fazia uma visitinha entre cafés e bolinhos de chocolate. E foi assim que ficou combinado que Anabela receberia aulas de idiomas estrangeiros com o grande sábio Simão. A menina aprovou a idéia com júbilo, pois via na figura do padre a imagem do seu avô materno que um dia partira para o plano espiritual. E era assim o padre, um homem bom, amigo, mas capaz de ser justo e severo nos momentos mais cruciais, precisamente naqueles em que cada um de nós, tão fracos que somos, necessitamos de muita força e amparo irrestritos.
Certo dia, mais precisamente, no seu primeiro dia de aula, indo para a igreja, Aninha ouviu gritos e discussões inflamadas no salão paroquial. Era Irene, uma senhora robusta, na meia idade, mas que sentia-se ameaçada por visões e perseguições invisíveis, sendo que confusa como estava as considerava reais. Mas Simão encerrou o caso com uma simples sentença: - Não tema, minha filha, o mal jamais irá sair vitorioso sobre o bem, pois o  universo foi criado perfeito por uma inteligência pura e infinita. Reze com o coração e tudo isso vai passar. pode ir, mas não deixe de me procurar sempre que precisar. Combinado?
Aninha entrou em seguida com flores do campo nas mãos indo depositá-las aos pés de Nossa Senhora. Mas a menina era inteligente e perguntou de inesperado ao seu professor : - Padre, existem demônios? O ancião não resistiu e deu uma estrondosa gargalhada. Em seguida, se recompôs e argumentou: - Menina, olhe para esse céu azul e límpido, será que algum demônio vai resistir a uma luz tão poderosa como essa?
E depois da aula, a jovem saiu para reconhecer os campos floridos de hibiscus brancos, róseos, vermelhos e amarelos que anelavam a estrada que levava ao sítio onde se encontravam.

As sombras da ignorância nunca resistirão à extrema racionalidade da luz, mesmo que perdurem por muito tempo, esse mesmo momento de dor e obscurantismo definitivamente será afastado. Nada dura para sempre.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Coelhos e Canteiros - A família viaja

As coisas não andavam bem naquela casa. Mark ligava a TV e lá vinham enxurradas e mais enxurradas de roubalheiras no patrimônio público do país. Mudava de canal e assassinatos em massa jorravam pela tela, jovens e crianças decapitadas, vidas ceifadas pela estupidez humana.
- Não vejo mais televisão! Se não tenho nenhum poder de mudança no que acontece nesse mundo hostil, por que devo continuar a assistir coisas que me ferem a alma? Sou fraco, podem me acusar.
Gê, a sua Gertrude, a tudo percebia e na sua intuição quase mediúnica mantinha um diálogo com os seus protetores espirituais. Daí, começaram seus flashes e epifanias no seu mundo interior. Às vezes via-se como um adolescente chinês que saltava um muro altíssimo para fugir da polícia, enveredando por labirintos e favelas miseráveis. Em outras ocasiões era um rico mercador de tapetes persas, e as visões continuavam se sucedendo com muita frequência. Já havia ouvido falar em reencarnação , vidas passadas, fenômenos paranormais, mas só agora conseguia notar certas conexões.
Havia algo mais, se ao menos o professor Philip (o Phil) tivesse deixado seu telefone...
Mas um dia, Phil apareceu e uma viagem teve que acontecer. Foram todos para um lugar bem distante, lugar onde tudo poderia fluir melhor; onde haveria um quarto onde Mark e Gê  sonhariam em paz. O local tinha também um pátio cheio de gatos e que, um dia, no futuro, haveria de acolher Castanho, o coelhinho. Anabela iria adorar.
Vamos acompanhar essa fluidez daqui por diante?
Obs.: Amigos, vou respondendo aos pouquinhos a todos os comentários, ok?
Recebam o meu carinho...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Coelhos e Canteiros - O Mestre

A passeata transcorreu a contento. Algumas falas foram proferidas por pessoas que conheciam e sabiam transmitir com segurança os temas ali tratados. Porém, observando atentamente os oradores, Mark reconheceu seu ex professor de filosofia. Qual seria mesmo o seu nome? Não se lembrava mais, pois na faculdade todos só se dirigiam a ele como "mestre" pra lá, "mestre" pra cá, e assim ele formou-se sem saber o nome do professor mais interessante e querido que já tivera.
Agora, já encerrada a envolvente manifestação,  muitos sentavam-se no gramado da praça e apenas  conversavam informalmente.
- Mark, você ainda se lembra de mim? Pergunta-lhe de surpresa o velho mestre que fez questão de sentar-se ao seu lado.
- Sim, claro, professor!
E a conversa fácil, mas inteligente, foi num crescendo até que girou em torno da questão da ética no relacionamento humano. O ex aluno procurava não interromper o bom mestre que demonstrava seu temor quanto ao lado sombrio do homem atual, e que temia que certas atitudes ruins e agressivas, arrastassem a todos de volta à barbárie, resultando isso numa frieza cruel e falta de compaixão pelo semelhante. Foi aí que Mark e Gertrude notaram o semblante triste e abatido do velho homem.
- Mas ainda há esperança de reverter essa dura tendência do coração humano? Quis saber Mark.
- Talvez, meu filho, mas temos que nos mobilizar com cautela, mas com segurança e muito mais frequência, tendo em vista que a acomodação e o silêncio são sinais de indiferença, e você sabe: "quem cala, consente". E tem mais, seremos duramente cobrados pelas novas gerações pela nossa omissão.
De repente, todos perceberam que a filha do casal se agitava com a fuga repentina de Castanho, o coelho. Dessa vez, o professor esboçou um sorriso amigo e disse-lhe com afabilidade:
- Castanho precisa de liberdade para evoluir, os animais têm seus direitos e também buscam o seu próprio caminho de auto-conhecimento. Mas fique certa, Anabela, ele nunca vai esquecer os seus cuidados e carinho. Deixe que ele siga!
A menina, embora já apegada ao animalzinho, entendeu a explicação de sabedoria daquele senhor e, finalmente, acalmou-se.
- Meus amigos, foi bom tê-los encontrado e faço-lhes aqui um convite para que me visitem em breve.
- Mas onde o senhor está morando, professor? Questionou Mark com uma pontinha de medo de perder o contato com aquele que lhe abrira as portas de um conhecimento que ia além do rígido academicismo dos bancos escolares.
- Não se preocupe com endereços e coisas desse tipo, meu amigo mais que aluno. Pode deixar, eu acho vocês!
E o mestre que Mark não via há tanto tempo e que, lamentavelmente, não perguntara o nome, afastou-se atravessando a rua, sumindo por entre as altas árvores enquanto a noite vinha chegando, encobrindo o dia.
A promessa de um novo reencontro fora feita, ele voltaria com respostas. Todos precisavam acreditar nisso.

Imagens retiradas do filme "Apocalypse Now" de Francis Ford Coppola, uma obra cinematográfica fantástica. Fica aqui a nossa recomendação. Abraços!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Coelhos e Canteiros - Mark aproxima-se de Castanho, mas...

Mark e Castanho: uma difícil e estranha convivência.
Camiseta rasgada e bermudas desbotadas demonstram muito bem o quanto o moço não dá a mínima para a aparência. O que ele pretende mesmo é chegar à toca de Castanho e para atraí-lo, leva-lhe guloseimas, mas o bicho está arisco, selvagem, seus olhos flamejam como chispas de fogo no breu subterrâneo onde montou suas barricadas para enfrentar o inimigo. Mas o homem insiste e enfia seus longos dedos por entre a terra escura e úmida.
- Aiiiii! Ouve-se um grito estridente que atravessa os tímpanos mais sensíveis da vizinhança. Castanho acerta-lhe uma dentada daquelas. (-Ora, me respeite, seu humano enxerido!)
Bem, por linhas transversas, a tática de retirar o coelhinho da toca até que deu resultado e funcionou no sentido de que todos vissem o animalzinho pendurado no dedo indicador de Mark que sangrava dolorosamente.
- Bicho malvado, vou te levar para a panela agora! (mais uma promessa de vingança que não se concretizaria)
E aí, entra a menina Anabela falando com o coração que só as meninas possuem:
- Pai, você tá maluco? Meu coelho não vai pra panela nenhuma! Vê se para de fazer drama, tá?
E o pai cedeu. Curativo no dedo, retirou o empoeirado carrinho domingueiro da garagem e todo mundo se acomodou ali como pode. -Vamos ao shopping? Vamos!
Mas cá entre nós, isso é o que veremos a seguir. Castanho, menos tenso e no colo macio de sua dona, tira uma confortável soneca. Mas de repente, um solavanco, uma freada brusca, muda completamente os planos dessa família de classe média que se equilibra em dívidas de cartões de crédito para sobreviver.
Uma passeata de pessoas de todos os naipes sociais, idades diversas, até de crianças de colo, atravessa o caminho de Mark. Cartazes imensos pedem Paz, Ética, Respeito e o Não à Corrupção se fazem tremular nas mãos do povo. São, todos nós sabemos, aqueles direitos básicos que sempre nos faltaram há tanto, tanto tempo que nem temos  mais certeza se existiram algum dia, a não ser nos velhos e empoeirados dicionários.
Gertrude, a mãe, tem uma intuição e pondo sua delicada mão no rosto do marido, apenas lhe pede: - Pare esse carro, meu bem! Vamos descer e seguir essa pacífica gente boa. Mark também sentindo o mesmo desejo, embrenha-se entre desconhecidos e sente-se importante. Ele e sua família agora têm um grande objetivo na vida, vão lutar pela PAZ. Aquele sonho da noite anterior logo lhe vem à lembrança e aqueles rostos já lhe parecem familiares; o garotinho louro despenteado, o magro senhor moreno ao seu lado. Todos formam um só bloco, um belo amálgama de algo que sempre quis viver, mas nunca viveu...
"Eu tenho o coração selvagem e essa pressa de viver..." Belíssima composição do poeta-compositor Belchior, cantamos juntos? Eu, por exemplo, sempre que posso, me deixo levar pelo universo adentro desse genial cearense. Selvagem, mas doce e amoroso.
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Amigos, responderei a todos os comentários no decorrer da próxima semana. Tenham todos um bom e repousante fim de semana!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coelhos e Canteiros - O Natal de Anabela

Então, sonhou estar passeando por uma ilha, acompanhado por várias pessoas que conversavam em um estranho idioma, mas não lhe davam a mínima atenção. Chegou a pensar dentro do próprio sonho naquele tipo de rejeição onírica que sofria por parte daqueles ilustres desconhecidos.
Sonho que até parecia ser bom, transcorrendo à beira-mar, sentindo os pés sendo tocados pelas ondas salgadas e a areia macia cobrindo-lhe os membros inferiores do seu corpo.
Água? Acordou muito assustado. Era Anabela com um copo d'água nas mãozinhas molhando-o nos pés e parte das pernas e, logicamente, com um sorriso pra lá de travesso nos lábios. E antes que pudesse dar-lhe uma boa bronca, ele notou que o seu sorriso se alargava mais e mais, mostrando a ausência dos dentinhos da frente; a menina estava trocando de dentição. Quão jovenzinha era sua filha! Quanta vida pela frente!
- Pai, vamos ao shopping pra ver Papai Noel e o presépio? Vamos, pai, afinal você faz niver no Natal, esqueceu?
- Tá certo, tá certo, Aninha, mas me deixe ao menos despertar e tomar um cafezinho, posso?
A casa, magicamente, encheu-se de gritinhos e barulhinhos de quem salta aos pulos no piso. A menina se achava alegremente descontrolada.
- Mãeeeee, papai chamou a gente pra passear no shopping! Vou trocar de roupa, tá?
Gertrude, tirando o velho avental, já entendia as peripécias da filha e lá se foram ambas para o quarto a fim de escolher roupas bonitas e da moda.
Mark, ou Markinho, como era chamado pelos mais chegados, saiu do quarto arrastando seus chinelões, passou pela janela aberta e de lá avistou Castanho (o glutão coelhinho) na sua infindável refeição naturalista, e que agora já devorava as alfaces. Sorriu e pensou em voz alta: - Dessa vez não tenho desculpa, só me resta levar esse bendito cartão de crédito. Mas só o cartão de crédito? Por que não deixar que Castanho também participasse desse banquete natalino?
- Acho que vou levar o Castanho! Vou sim! Decidiu.
PS: A essa altura dos acontecimentos, vocês já devem estar imaginando as confusões de Mark e Castanho na praça de alimentação do shopping, não é mesmo?

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Coelhos e Canteiros

Ele sempre se sentia perdido quando tinha que optar entre isso ou aquilo E aí vinha aquele desespero antes e depois daquelas escolhas obrigatórias do dia a dia.
Foi numa dessas ocasiões, mais precisamente, no dia do seu aniversário - ia completar quarenta anos - que sentiu uma vontade forte de lançar fora de si velhos hábitos e convenções já enraizados no seu mundo interior.
Numa manhã bem clara, olhou para os canteiros que sua pequena Anabela, plantara no fundo do quintal quando ouviu ali arrufos e alguns movimentos entre as verdes ramagens. Era ele, o pequeno e devastador orelhudo, um belo coelhinho castanho dourado que se apropriava sem pudor das tenras cenourinhas que começavam a crescer terra adentro. Porém, Mark apenas observou e não fez nenhuma menção de atrapalhar "o almoço" do ladrãozinho esfomeado. Ficou ali parado, estudando suas reações e sentindo um grande prazer com toda aquela atividade, um dia conseguiria sua amizade, pensou.
Voltou para dentro de casa, jantou com a família e caiu na cama cansado, mal beijando sua mulher que, coitada, vivia atarefada com os seus intermináveis serviços domésticos, e pior, sem o seu carinho e diálogo.
Mark já não era mais o mesmo marido de antes, o mesmo amante envolvente e fogoso. Sentia-se como um autômato que tomava banho, escovava os dentes e fechava os olhos para que caísse sobre ele o esquecimento do mundo e seus insolúveis problemas.
Continuaremos depois...
Curtam  aí o talentoso Raimundo Fagner e seus Canteiros.
As imagens são do filme "O Ano do Coelho" com uma das mais notáveis atuações de Christopher Lambert e um belíssimo roteiro baseado num livro muito sensível.


PS: Vou responder a todos os amigos que amavelmente me comentaram enquanto o nosso pc se encontrava em manutenção. Tudo vai voltar ao normal, se Deus quiser! Beijinhos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Será que virei Alice?


Ando numa fase que só quero coisa simples, escrever para criança, sendo que assim, escrevo para mim mesma. Por isso, um dia vou te contar a história do coelhinho dentuço e saltitante. Ah, esse bichinho fica me seguindo aonde eu vá, será que virei Alice?
Viro-me, e lá está ele cravando os dentinhos na suculenta cenoura, olho para o outro lado e o danadinho já está rodopiando numa moita de capim, metendo o focinho na toca.
E fica me seguindo, me seguindo...
Que sinais me envias? Queres que eu te siga? Mas para onde podes me levar?
Espera, espera que eu irei!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mas o que importa o presente, passado - haverá futuro?

 Vejo fotos do passado, onde tudo vai se mesclando com o presente. E se o futuro for o sono eterno em algum cantinho de céu ou mesmo num inferninho ardente, haveria de ser esse o verdadeiro presente?
No mosteiro Zen, seríamos todos monges. No bar da esquina, embriagada de vinhos doces e baratos, tendo como companheiros brutamontes suados e até refinados senhores, serias tu mulher da vida, apenas um naco de carne qualquer. Mau agouro ser mulher e da vida? Mas a vida é boa e bela, já diziam ilustríssimos poetas da modernidade digital.
Vamos por partes, usemos a razão. Que se dane a razão enquanto o mundo se estilhaçar em "sujos, feios e malvados". Sonhávamos com aquele oásis onde tendas se refrescavam à sombra das tamareiras, mas deceparam as tamareiras e a água secou em São Paulo. Essa mesma água que se evaporou dos ambiciosos corações dos homens e mulheres sem fé, fedorentos da lama do dinheiro fácil. Por isso, revejo fotos amareladas. Se somos infelizes? Para que nos serve o conceito de felicidade? 
Brindemos com o vinho amargo.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

JK, o bom mineiro de Diamantina

Brasília sendo construída, desbravada pelas mãos calosas dos candangos. Enquanto isso, o mineiro de Diamantina, visitava escolas e brincava com as crianças no recreio.
Um dia, muito menina ainda, não sei o que senti ao vê-lo tão sorridente e brincalhão que corri em sua direção e ele me levantou em seus braços fortes, dizendo-me algo que a minha memória tenra não reteve. Mas uma curta frase eu pude balbuciar:
"- Juscelino, você é  meu presidente!"

 No planalto central, moramos por alguns anos e lá tomamos banhos nas claras águas das cachoeiras do Rio Paranoá, e foi também lá que conseguimos fazer um círculo de amizades super heterogêno.
  Era gente de todo o Brasil: a baiana Edelzuita, o cearense seu Solano, dona Neném a mineira, o casal Afrodízio e seus cinco filhos que eram goianos, dona Amélia, a pernambucana, Eliane a carioca, e fica faltando mais, muito mais gente boa e fraterna. Todos com seus empregos e bem alimentados, todos felizes.
Quando voltamos ao Rio, trouxemos sementes das "flores de Brasília" que são os bipinatus e fizemos, eu e meus irmãos, um jardim das cores do teu grande coração, doutor Juscelino, o médico carinhoso e político conciliador que soube bem entender a alma simples do povo brasileiro.
Porque nos deixaste tanta saudade, Juscelino Kubitschek de Oliveira?
Vamos de "Peixe Vivo" com outro mineiro maravilhoso? Canta pra nós, Milton Nascimento!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Segure-se no corrimão

Cuide-se bem ao subi-la
Segure-se ao corrimão
Da escada
O primeiro, o segundo, o terceiro
degraus parecem e são fáceis
Chegando ao topo
Respire
Mas não exulte de alegria
Sem soberba
Não se orgulhe
De ter sido 
O primeiro
Para não escorregar
Nas caudas de cetins 
Da sua própria vaidade

"Vaidade das vaidades"
Já dizia Salomão, o rei
"Tudo é vaidade"
Porque subir demora
E descer é rápido
Rolar escada abaixo
Mais fácil ainda
Segure-se firme
Aguente

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O claro e o obscuro

Acendo a lanterna
Algo se perdeu
Pode ser a  jóia ou o grampo de cabelo
Algo se perdeu
Foi-se a minha paz
Para debaixo da cama
Mas a luz que me acompanha
Pelos labirintos da perdição
Essa não se apagará
Abandono a busca e os ingratos
Objetos do meu desejo
Apego-me apenas à clara luz
Que fere de morte os abismos do obscuro...


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Helmut Berger e eu!

Passada essa "onda cívica" que quase me deixou de quatro, naquela de quem ganhou, quem não ganhou e acaba que...bem, todo mundo sabe como termina essa euforia de todos nós, o povão brasileiro, ou não sabemos? Enfim, volto airosamente a uma das minhas famosas paixões nunca dantes revelada e que a ninguém interessaria, não fosse eu essa linguaruda que sou, Helmut Berger. E vou logo advertindo aos senhores e senhoras que, se por acaso, tiverem "a feliz idéia" de pesquisá-lo em português na famosa (e incompleta) Wikipédia brasileira, vão derramar copiosas lágrimas de sangue. O ator, tido como o homem mais bonito do mundo e preferido dos diretores de filmes cult, só pode ser pesquisado em alemão (sentiram o drama?), italiano, inglês, por aí. O motivo? Mistério profundo, eu também estou dando tratos à bola para saber. Mas já consegui um razoável material nesse meu insaciável vício e martírio "Helmutiano".
Encontrei Helmut meio que por acaso e fui seguindo pistas. Passados quase dez anos, delicio-me agora com todo o seu esplendor artístico, principalmente na filmografia do perfeccionista Luchino Visconti.
bem, estão aí umas poucas cenas de Violência e Paixão que na minha modestíssima opinião são cenas - como poderia defini-las? Digamos que se trata de um romantismo meio erotizado, sem aquelas apelações detestáveis que estão tanto em voga por aí, isso aqui, meus queridos, é Arte, é emoção estética, papa fina. E o conteúdo? Ora, vejam o filme! Depois, um dia, quem sabe, eu volto à carga contando outras preciosidades. Ah, e tem essa música aí, Testarda Io, sendo interpretada na afinada e bela voz de Iva Zanicchi. E para irmos já encerrando, como curiosidade, vocês querem saber quem são os autores da mesma? Nada mais, nada menos que Roberto e Erasmo Carlos. Pois é, amigos, nós aqui torcendo os narizinhos para o popular, mas o Príncípe italiano (ele era nobre mesmo), Visconti, colocando lá, como trilha sonora de uma das suas obras mais primorosas, os nossos brasileirinhos da jovem guarda, "turma do lamê"  e outros tantos rótulos menos votados que muita gente com problemas freudianos gosta de impor aos outros. Deixa pra lá, sem neuras, cuca fresca e vida que segue. 

Tenho tanto e tanto para falar que esse postzinho é só uma gotinha d'água nesse profundo oceano de variadas nuances, principalmente no que toca a uma outra película também dirigida pelo Mestre Visconti, Ludwig. Aqui, são cinco horas de uma aula de História, cenários de época requintados, Romy Schneider e aquela exuberância interpretativa dele...Helmut Steinberger. Ou, como ele mesmo simplificava, Helmut Berger.
 
Delícia, puro deleite...
Helmut Berger e eu!

domingo, 5 de outubro de 2014

Refletindo - As medalhas da sorte de Eduardo Campos

Eu acho que quem me acompanha nessa jornada virtual já percebeu que não gosto de "politizar" meus espaços. Portanto, não se enganem com o título acima. Não vou fazer a cabeça de ninguém, mesmo porque  com a minha idade - sou uma criatura macróbia - não admito que façam a minha.
Mas não sei, esse "clima de eleições", esse inconsciente coletivo pega a gente, envolve a gente, sufoca a gente.
Só sei que a figura de Eduardo Campos ficou pairando no ar, embora o avião tenha caído vertiginosamente em terras paulistas.
Com ele haviam algumas medalhinhas da sorte que a família pediu e foram encontradas.
Que família sem sorte, poderíamos pensar.
Que nação infeliz somos, poderíamos gritar.
Vejam as medalhas nas mãos ainda sujas do bombeiro que as encontrou...

Isso não é nem uma postagem que valha a pena ser comentada mas...vejam, são santinhos e mais um trevinho de quatro folhas que ele sempre carregava próximo ao seu corpo brutalmente estilhaçado naquela explosão. Houve sorte para seus companheiros?
Ainda haverá sorte para nós?
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Outro post virá em seguida, o que fiz aqui foi só uma rápida e emotiva reflexão. Descanse em paz, Eduardo Campos!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quando publicamos um livro só fica faltando um ingrediente - humildade


Foi o primeiro livro, fiquei orgulhosa a princípio, mas felizmente essa fase passou. Bem encadernado e ilustrado, obteve bastante sucesso na minha cidade. Sucesso esse que só serviu para inflar o meu ego de menina metida a intelectual.
Felizmente, o orgulho foi lapidado a tal ponto que nunca mais o manuseei, aliás nem me lembrava mais da sua existência até que hoje, justamente hoje, fui espanar a poeira e lá estava a tal "A Ilha do Milionário" a me espreitar. Mas eu lhe sussurrei baixinho: não vou lhe fazer concessões, você foi romântico demais e tudo acabou entre nós, não quero mais papo contigo.
Insuportável a história, mas para quem gosta de um bom copo d'água gelada com bastante açúcar, dá para descer redondo e encarar.
Um empresário, condenado por um diagnóstico letal por seu médico de confiança, compra uma belíssima ilha no Caribe e muda-se para lá com tudo o que tem direito. Mas...ohhhhh, falta-lhe a sua "rainha", o grande amor de sua vida que ele projeta na sua arrumadeira, a principio muito boazinha e solícita, mas que acaba por tentar abreviar o fim do seu ex patrão em conluio com quem? Obviamente com o tal doutor de confiança e blá, blá, blá, blá.
E agora, passados tantos e tantos anos, já consigo alinhavar algo um pouco melhor melhor, mas lutei e luto muito comigo mesma, com a minha vaidade pessoal e, principalmente, com a humildade em reconhecer os verdadeiros talentos da literatura nacional e mundial. Li Fernando Pessoa, li desde Drummond a Faulkner e a lista não parou nem vai parar nunca. E tem ainda o cinema que se traduz atualmente na minha verdadeira e maior paixão.
Será que viverei para assistir a todos os filmes (de qualidade) do mundo?
Só mais uma breve observação; a música italiana aqui cantada vai continuar porque existe uma, nessa sim, uma fascinante história por trás da bela voz de Iva Zanicchi e que será contada na próxima postagem, assim espero.
As flores que aparecem aqui ficam por conta de um capítulo dedicado a um jardim de tulipas que César (o coitadinho do milionário) plantara com suas próprias mãos. Bom, pelo menos essa foi a única e melhor parte dessa  trama que ficou enterrada no passado, e para sempre.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Antonioni - Em busca da alma feminina

No começo, ele andou realizando filmes policiais, mas no fundo, no fundo, Michelangelo Antonioni não se satisfazia com experiências que o levariam somente a sucessos comerciais de puro entretenimento. Ele queria mais, queria uma obra autoral e com a sua inconfundível marca universalista e perene. Queria e fazia enquadramentos perfeitos, com fotografias elegantes, de qualidade, mesmo porque a sua formação de artista plástico assim o exigia.
Tudo aconteceu na década de sessenta, no auge do neorealismo da cinematografia italiana. já casado com Monica Vitti - atriz perfeita para os seus filmes - foi que a sua genialidade despertou por completo no que se costuma chamar hoje em dia de trilogia da incomunicabilidade humana: A Aventura, A noite e O Eclípse. Alguns ainda falam em quadrilogia e incluem Deserto Vermelho. Na verdade, nem uma coisa, nem outra, a proposta de Antonioni sempre foi profundamente existencialista e não existe uma linha de continuidade entre seus filmes, além disso, ele mesmo dizia que suas obras foram feitas porque ele sentia a necessidade de se comunicar com o seu público. O que há mesmo em Antonioni é "a sua insistência" em esmiuçar a temática do relacionamento entre os casais que, embora apaixonados, não se realizam em seus sentimentos e acabam vagando solitários por caminhos que nem mesmo ele conseguiu perscrutar.
Seus personagens, em geral, são da classe rica, mas isso não passa de pano de fundo, um detalhe apenas para que ele possa delinear o seu propósito maior, ou seja, dar um mergulho sem volta na alma humana e, mais precisamente, na alma feminina.
Em O Eclípse de 1962, o personagem interpretado magistralmente por Monica Vitti, mostra-se na tela tão angustiada com seu casamento que sai de casa sem um destino certo e acaba por se refugiar na casa de uma amiga que coleciona esculturas e quadros de arte africana. Quando, em dado momento quer se distrair, ela começa a dançar como uma negra,recebe dessa mesma amiga uma ameaça velada num momento em que mais precisa de alegria: " Não brinque com os negros!"
Mas esperem, não vão pensando que as histórias de Antonioni estejam indissoluvelmente presas aos seus personagens, suas tristezas e pequenos dramas burgueses, pois ele sempre os abandona na estrada e os deixa livres nas ruas sem o foco da sua lente perturbadora. Nunca esperem coerência dele, nunca.
Antonioni demonstra quase claramente o seu desapego com a cultura do descartável que tanto é cara ao capitalismo. De alguma forma, ele ressalta as qualidades daqueles que são frágeis e abandonados. Por exemplo, em As Amigas, ele se apega a uma jovem que acaba por suicidar-se quando suas amigas fúteis do mundo da moda tripudiam sobre ela, pisoteando sua sensibilidade e inteligência.
Em Profissão Repórter, talvez o melhor papel de Jack Nicholson, ele ao tentar se libertar dos grilhões do destino toma a identidade de um morto, acabando por perceber que de nada lhe adiantou tanto esforço nessa vã empreitada, e que mesmo com o carinho de sua mulher, perde toda a força vital de prosseguir com a farsa, entregando-se então a uma morte inglória, sem qualquer reação.
Blow up - Depois Daquele Beijo, já acontece na sua fase colorida, colocando em ação um fotógrafo de moda bem sucedido, mas que termina envolvido com um crime onde, sem querer, descobre o amor do personagem interpretado por Vanessa Redgrave que o deixa sem qualquer explicação convincente, tendo como final um estado de total solidão e desamor.
Para encerrarmos, todos os projetos humanos sucumbem e só resta o silêncio na alma dos personagens que povoam o universo de Antonioni. Mas nada disso é gratuito, é preciso ter os olhos e o coração bem sintonizados e abertos para penetrarmos nessa intrincada construção filosófica do mestre Antonioni.
"Visione del silenzio
Angulo vuoto
Pagina senza parole
Una lettera scritta
Sopra un viso
Di pietra e vapore
Amore
Inutile finestra..." assim cantou Caetano Veloso em seu último filme, Eros.

Agradecimentos ao pesquisador e cinéfilo dos melhores que eu bem conheço, Rodrigo de Moraes, que sempre me incentivou a escrever essas linhas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

E viva o cordão encarnado!

Estado de Alagoas, década de trinta. Já na adolescência, lá pelos seus quinze anos, ela participava das apresentações públicas que colocavam em disputa os tradicionais cordões azul e encarnado. A mocinha vibrava pelo seu cordão encarnado, a cor de sua predileção.
Os tecidos vermelhos vinham da capital, Maceió, mas eram costurados por dona Cecília que caprichava na saia rodada e nos rendados.
E assim, a jovenzinha girava nas sapatilhas e ali, extravazava toda a sua alegria em direção aos olhos e corações dos rapazes que a assistiam, entre eles, aquele que viria a ser meu futuro e querido pai. E já dá pra saber quem seria a vaidosa menina? Ah, essa só poderia ser minha mãe, tão perfumada em suaves fragâncias, e muito graciosa naqueles trajes típicos.
Por isso, costumávamos ouvi-la na hora do almoço lá em casa, entoando a seguinte estrofe:
"Sou rosa vermelha,
Sou teu bem querer
A rosa vermelha encanta
Hei de amá-la até morrer"

As apresentações dos cordões azul e encarnado ainda fazem parte do folclore nordestino até os dias de hoje. E viva o cordão encarnado!