Aposto que é sobre criança pobre.
- Se for esse lenga lenga de novo, eu nem comento!
Aposto que é do tempo que passou e não volta mais, a coitada é saudosista.
- Decididamente, não vou comentar e ponto!
Com certeza é sobre cinema, quer apostar?
- Xiiii, que chatice!
Cá entre nós, eu acho que é sobre sexo.
- Não, não, e não, eu a conheço bem, ela é metida a santarrona, puritana.
Então, só pode ser de um daqueles livrinhos que leu na infância e a fazia chorar horrores.
[risinhos baixos de canto de boca]
Já sei, vai se meter com política, eleições chegando, coisa e tal...
- Acertou, amiga, deve ser isso mesmo.
[Ruídos típicos de telefones sendo desligados]
Querem a minha resposta? Tá bom, aí vai:
E eu vou ligar pra fofocas de comadres com tanta coisa interessante pra curtir na vida?
Que tal fazer uma boa faxina no cafofo, hein gente fina?
Eu já comecei...
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Heathcliff, a paixão que nunca morre
Heathcliff é mais um daqueles personagens que se evadiram das páginas de um livro e tomaram um rumo próprio. O livro, no caso, trata-se do Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë.
Um menino cigano é adotado e amavelmente tratado por seu pai adotivo, mas após o falecimento do mesmo as coisas mudam para pior, aliás, para bem pior, sendo que Heathcliff torna-se um escravo do ciumento irmão, filho legítimo da família. Açoitado, espezinhado, desrespeitado brutalmente, ele só encontra apoio e carinho na companhia de Catherine, sua irmã adotiva.
Bem, mas aqui não se trata de mais uma resenha de um clássico da literatura mundial, a nossa abordagem pretende enveredar por outros escaninhos mais enigmáticos da alma humana.
Na verdade, Heathcliff e Cathy constroem para ambos seus próprios códigos e suas afinidades tornam-se mais estreitas, daí nascendo um relacionamento efetiva e afetivamante forte,
podendo-se dizer eterno, indestrutível.
A trama que se tece entre eles mostra-se intrincada de gestos sutis e, paradoxalmente, também revela uma paixão visceral diferente de tudo o que se possa imaginar.
O clima do romance é telúrico, feito de terra, lama, chuvas, ventos que uivam como lobos, e muitos animais e plantas silvestres. Resumindo, selvageria e pura ternura se confundem nessas almas apaixonadas. As feridas das chibatadas nas costas do amado são tratadas com a saliva da língua de Cathy.
Mas Cathy torna-se mulher e descobre a vaidade da vida confortável e burguesa, namora um rapaz de muitas posses e pouca personalidade. Heathcliff foge, desaparece do mapa. Heathcliff retorna como um homem muito rico, riqueza nebulosa, mas como dinheiro é dinheiro, ele é aceito por todos. Seu temperamento modificou-se drasticamente, está taciturno, senhor de si, vingativo e cruel.
Uma coisa, apenas uma, não vai mudar, a sua tórrida paixão por Catherine que adoece e morre por não poder romper com seu falso casamento de fachada.
E é nesse ponto que começamos a nos perguntar: Heathcliff enlouqueceu ou seu amor transcendeu à morte de sua Cathy? A razão, nessas circunstâncias, não nos serve mais de ferramenta para prosseguirmos numa análise certinha e pasteurizada. Pelo contrário, a razão de nada vale.
Heathcliff, enlouquecido ou não, vai em busca de Cathy até em sua última morada e escava o túmulo com suas próprias mãos, só parando quando a "vê" passar por entre as urzes do campo, seguindo-a e perdendo-a de vista.
Só aí podemos verificar que "a paixão" desse homem agrega em si dois significados, o seu sofrimento interior intenso e a sua vontade férrea de se completar através do amor de sua amada que se foi e não voltará jamais. Duplo martírio esse dos que amam sem poderem encontrar a felicidade terrena.
Mas gostaria de permitir que a própria e genial, Emily Brontë, fale da sua mais bem querida criatura:
"E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária."
Um menino cigano é adotado e amavelmente tratado por seu pai adotivo, mas após o falecimento do mesmo as coisas mudam para pior, aliás, para bem pior, sendo que Heathcliff torna-se um escravo do ciumento irmão, filho legítimo da família. Açoitado, espezinhado, desrespeitado brutalmente, ele só encontra apoio e carinho na companhia de Catherine, sua irmã adotiva.
Bem, mas aqui não se trata de mais uma resenha de um clássico da literatura mundial, a nossa abordagem pretende enveredar por outros escaninhos mais enigmáticos da alma humana.
Na verdade, Heathcliff e Cathy constroem para ambos seus próprios códigos e suas afinidades tornam-se mais estreitas, daí nascendo um relacionamento efetiva e afetivamante forte,
podendo-se dizer eterno, indestrutível.
A trama que se tece entre eles mostra-se intrincada de gestos sutis e, paradoxalmente, também revela uma paixão visceral diferente de tudo o que se possa imaginar.
O clima do romance é telúrico, feito de terra, lama, chuvas, ventos que uivam como lobos, e muitos animais e plantas silvestres. Resumindo, selvageria e pura ternura se confundem nessas almas apaixonadas. As feridas das chibatadas nas costas do amado são tratadas com a saliva da língua de Cathy.
Mas Cathy torna-se mulher e descobre a vaidade da vida confortável e burguesa, namora um rapaz de muitas posses e pouca personalidade. Heathcliff foge, desaparece do mapa. Heathcliff retorna como um homem muito rico, riqueza nebulosa, mas como dinheiro é dinheiro, ele é aceito por todos. Seu temperamento modificou-se drasticamente, está taciturno, senhor de si, vingativo e cruel.
Uma coisa, apenas uma, não vai mudar, a sua tórrida paixão por Catherine que adoece e morre por não poder romper com seu falso casamento de fachada.
E é nesse ponto que começamos a nos perguntar: Heathcliff enlouqueceu ou seu amor transcendeu à morte de sua Cathy? A razão, nessas circunstâncias, não nos serve mais de ferramenta para prosseguirmos numa análise certinha e pasteurizada. Pelo contrário, a razão de nada vale.
Heathcliff, enlouquecido ou não, vai em busca de Cathy até em sua última morada e escava o túmulo com suas próprias mãos, só parando quando a "vê" passar por entre as urzes do campo, seguindo-a e perdendo-a de vista.
Só aí podemos verificar que "a paixão" desse homem agrega em si dois significados, o seu sofrimento interior intenso e a sua vontade férrea de se completar através do amor de sua amada que se foi e não voltará jamais. Duplo martírio esse dos que amam sem poderem encontrar a felicidade terrena.
Mas gostaria de permitir que a própria e genial, Emily Brontë, fale da sua mais bem querida criatura:
"E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária."
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Estóicos e hedonistas uivam para a lua
Estamos em tempos de lua cheia, sombras e sussurros, há lobisomens a rondar. Os cães uivam, homens morrem de desastre na terra e no ar, viúvas enlutam-se de negro fechado.
Fechados em seus princípios herméticos, reais ou virtuais estão os hedonistas, cultivadores da flor iridescente do prazer a qualquer preço; alto preço a ser pago, rosa sanguinolenta, sangue jorrando da fonte do capitalismo desvairado, louco e por origem, indecente.
Já os estóicos, curvam-se aos duros açoites do destino, não choram nem riem, apenas se arrastam, caminham sem olhar o céu, sem perceberem se existe ao menos a mínima possibilidade de um amanhã.
O encontro já marcado estava em alguma curva dessa estrada. Eles, hedonistas irresponsáveis
e mais os estóicos vergastados e de olhos esbugalhados pela dor se ajoelharão ao pé de uma cruz, todos uivarão tão alto, tão alto que a própria vida morrerá ensurdecida.
E a refulgente flor, banhada pelo sangue dos inocentes lançará suas aveludadas pétalas aos ventos que virão de um futuro qualquer...
Fechados em seus princípios herméticos, reais ou virtuais estão os hedonistas, cultivadores da flor iridescente do prazer a qualquer preço; alto preço a ser pago, rosa sanguinolenta, sangue jorrando da fonte do capitalismo desvairado, louco e por origem, indecente.
Já os estóicos, curvam-se aos duros açoites do destino, não choram nem riem, apenas se arrastam, caminham sem olhar o céu, sem perceberem se existe ao menos a mínima possibilidade de um amanhã.
O encontro já marcado estava em alguma curva dessa estrada. Eles, hedonistas irresponsáveis
e mais os estóicos vergastados e de olhos esbugalhados pela dor se ajoelharão ao pé de uma cruz, todos uivarão tão alto, tão alto que a própria vida morrerá ensurdecida.
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terça-feira, 5 de agosto de 2014
Mensagens dos meninos perdidos - última parte
A Rua do Corte, era nada mais, nada menos que um rasgão no barranco vermelho, conduzindo a uma mina abandonada. Lá era o lugar onde Paulinho Boiola, o afeminado, Beto Ferrugem, o ruivo sardento, Naldo Ricaço, de topete engomado, Filé Boa Vida e, lógico, Tonico Pretinho que acaba de apontar uma faca pra moça da mochila; viviam - se é que isso é viver - dos seus furtos e brincadeiras.Brincadeiras sim, e por que não? Eles são crianças, desprezadas, amaldiçoadas por todos nós, mas mesmo assim...crianças. A "boa sociedade" da qual fazemos parte, os chamam de escória, lixo. Tá parecendo panfletário? Tudo bem, vou mudar o papo e voltar ao mundo da fantasia.
Ia me esquecendo do Mandrake, o cãozinho sujo e sarnento, um vira-latas originado de toda uma estirpe da pior espécie da raça "tomba", não conhecem essa raça? Pois é, trata-se de uma variante mais fedorenta e suja do que a dos vira-latas normais. Isso é que é pedigree!
- O que a madame quer por aqui? A faca tocando o estômago de Nieta.
- Bem, me mandaram trazer um negócio pra vocês, nada demais...(estranho, o medo de Nieta desapareceu, afinal, ela estava diante de um pobre garoto também assustado e acabou sentindo-se igual a ele).
- Olha, moça, vamos indo pra birosca do seu João porque é lá que meus amigos tão tomando uns trago.
- Falou! Vamos!
Sobem um viaduto de onde se avista uma linha de trem, camelôs com suas quinquilharias já estão armando seus produtos contrabandeados quando um deles avança sobre a mensageira Nieta e lhe aperta os seios com vontade. - Qualé, cumpadi! Tonico fica bravo e dá um solavanco no velho safado. - Tu num tá vendo que a muié tá comigo? Vaza daqui!
- Gente, essa dona aqui quer falar uns troços com a gente!Berra bem alto, o Pretinho.
Naldo, o engomadinho, se levanta do balcão e botando a mão no ombro de Nieta dá uma piscadela de olho. Toma a palavra e diz em tom de galhofa: - Veio salvar a gente? Hum, mas dessa vez mandaram uma salvadora boazuda. E ri, faltando alguns dentes na boca fina e anêmica.
Já na úmida caverna, em meio às cobertas velhas e rasgadas, todos sentados e já mais com os ânimos serenados, ouvem o que Nieta veio para lhes dizer.
- Eu sei que vocês têm todos os motivos para não confiarem em ninguém, mas acontece que outro dia eu recebi uns pacotes do estrangeiro...
- Ah, pacotes, né? Retruca com voz fina, o Boiola...
- Deixa a mulher continuar, caramba! Agora é Beto Ferrugem que bota um fim na bagunça.
Mas Nieta apenas abre a mochila e retira dela as cinco caixas de madeira e em seguida, sai entregando uma para cada um com as suas respectivas mensagens. Foi um momento de uma seriedade quase ritualística.
As caixas iam se abrindo e de dentro delas iam saltando os super-heróis preferidos de cada um dos meninos. Um ganhara o Hulk, do outro lado já estava o Homem Aranha, mais adiante, o Homem de Ferro, assim por diante. Mas todos eles com os nomes dos meninos e uma mensagem inscrita nas bases de apoio. Mas acontece que os meninos não sabiam ler.
Nieta, pacientemente, leu todas as mensagens. Os pequenos heróis foram parar num caixote de madeira que lhes servia de mesa. Todos os garotos ainda estavam meio zonzos e chapados da bebedeira, exaustos e moídos, dormiram de uma vez só.
A mensageira Antonieta saiu devagarzinho e ainda voltou a cabeça para olhar a última cena: fazia frio e os corpos abraçados formavam uma única massa de grandiosos sonhos, sonhos vãos e perdidos.
Eram apenas meninos e para sempre, infelizmente, irremediavelmente... perdidos. FIM
---------------------------------------------------------
Os nomes de Jonathan e Swiftilândia foram inventados por mim numa referência ao grande filósofo irlandês, Jonathan Swift que para criticar a sociedade inglesa da época, escreveu sobre uma cidade fictícia, Lilliput, onde homens pequenos travavam lutas inglórias contra os homens grandes.
Recentemente assisti o filme Os Incompreendidos do criador da Nouvelle Vague francesa, o sensível e grande cineasta, François Truffaut. Cabe aqui também revelar que tentei dar uns leves toques inspirada nos geniais Michelangelo Antonioni e Luiz Buñuel, críticos mordazes da burguesia em geral, quem os conhecer vai entender o que quero dizer.
Bem, agora já posso voltar aos meus poemas de amor...[uma bela e irônica gargalhada insiste em sair da minha garganta]
Tchau, meus coleguinhas, espero que durmam bem nas suas almofadas de seda!
Ia me esquecendo do Mandrake, o cãozinho sujo e sarnento, um vira-latas originado de toda uma estirpe da pior espécie da raça "tomba", não conhecem essa raça? Pois é, trata-se de uma variante mais fedorenta e suja do que a dos vira-latas normais. Isso é que é pedigree!
- O que a madame quer por aqui? A faca tocando o estômago de Nieta.
- Bem, me mandaram trazer um negócio pra vocês, nada demais...(estranho, o medo de Nieta desapareceu, afinal, ela estava diante de um pobre garoto também assustado e acabou sentindo-se igual a ele).
- Olha, moça, vamos indo pra birosca do seu João porque é lá que meus amigos tão tomando uns trago.
- Falou! Vamos!
Sobem um viaduto de onde se avista uma linha de trem, camelôs com suas quinquilharias já estão armando seus produtos contrabandeados quando um deles avança sobre a mensageira Nieta e lhe aperta os seios com vontade. - Qualé, cumpadi! Tonico fica bravo e dá um solavanco no velho safado. - Tu num tá vendo que a muié tá comigo? Vaza daqui!
- Gente, essa dona aqui quer falar uns troços com a gente!Berra bem alto, o Pretinho.
Naldo, o engomadinho, se levanta do balcão e botando a mão no ombro de Nieta dá uma piscadela de olho. Toma a palavra e diz em tom de galhofa: - Veio salvar a gente? Hum, mas dessa vez mandaram uma salvadora boazuda. E ri, faltando alguns dentes na boca fina e anêmica.
Já na úmida caverna, em meio às cobertas velhas e rasgadas, todos sentados e já mais com os ânimos serenados, ouvem o que Nieta veio para lhes dizer.
- Eu sei que vocês têm todos os motivos para não confiarem em ninguém, mas acontece que outro dia eu recebi uns pacotes do estrangeiro...
- Ah, pacotes, né? Retruca com voz fina, o Boiola...
- Deixa a mulher continuar, caramba! Agora é Beto Ferrugem que bota um fim na bagunça.
Mas Nieta apenas abre a mochila e retira dela as cinco caixas de madeira e em seguida, sai entregando uma para cada um com as suas respectivas mensagens. Foi um momento de uma seriedade quase ritualística.
As caixas iam se abrindo e de dentro delas iam saltando os super-heróis preferidos de cada um dos meninos. Um ganhara o Hulk, do outro lado já estava o Homem Aranha, mais adiante, o Homem de Ferro, assim por diante. Mas todos eles com os nomes dos meninos e uma mensagem inscrita nas bases de apoio. Mas acontece que os meninos não sabiam ler.
Nieta, pacientemente, leu todas as mensagens. Os pequenos heróis foram parar num caixote de madeira que lhes servia de mesa. Todos os garotos ainda estavam meio zonzos e chapados da bebedeira, exaustos e moídos, dormiram de uma vez só.
A mensageira Antonieta saiu devagarzinho e ainda voltou a cabeça para olhar a última cena: fazia frio e os corpos abraçados formavam uma única massa de grandiosos sonhos, sonhos vãos e perdidos.
Eram apenas meninos e para sempre, infelizmente, irremediavelmente... perdidos. FIM
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Os nomes de Jonathan e Swiftilândia foram inventados por mim numa referência ao grande filósofo irlandês, Jonathan Swift que para criticar a sociedade inglesa da época, escreveu sobre uma cidade fictícia, Lilliput, onde homens pequenos travavam lutas inglórias contra os homens grandes.
Recentemente assisti o filme Os Incompreendidos do criador da Nouvelle Vague francesa, o sensível e grande cineasta, François Truffaut. Cabe aqui também revelar que tentei dar uns leves toques inspirada nos geniais Michelangelo Antonioni e Luiz Buñuel, críticos mordazes da burguesia em geral, quem os conhecer vai entender o que quero dizer.
Bem, agora já posso voltar aos meus poemas de amor...[uma bela e irônica gargalhada insiste em sair da minha garganta]
Tchau, meus coleguinhas, espero que durmam bem nas suas almofadas de seda!
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François Truffaut
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Mensagens dos meninos perdidos - segunda parte
Mochila nas costas, Nieta pega o metrô, desce e sai percorrendo trilhas e ruelas escuras; já passa da meia-noite. O frio intenso e mais aquele silêncio perturbador lhe atravessam o corpo e a mente. Tem um pressentimento forte, sufocante. Que meninos seriam esses que moram em grupo numa cidade tão incomum chamada Swiftilândia?
Mas ela precisa desincumbir-se o mais rápido possível dessa missão, pois carrega naquela negra mochila as caixas que lhe enviaram. Caixas que contêm mensagens vivas, enigmas de uma região antiga e abissal.
De repente, alguém pula à sua frente. É Tonico Pretinho, faca afiada que cintila à luz do luar em uma das mãos. Rápido nos reflexos, somente grita:
- Parada aí, moça!
-------------------------------------------------------------------------------
Na próxima postagem, vamos revelar onde moram e quem são os pequenos habitantes desse lugar fora do mapa. Aquele abraço!
Mas ela precisa desincumbir-se o mais rápido possível dessa missão, pois carrega naquela negra mochila as caixas que lhe enviaram. Caixas que contêm mensagens vivas, enigmas de uma região antiga e abissal.
De repente, alguém pula à sua frente. É Tonico Pretinho, faca afiada que cintila à luz do luar em uma das mãos. Rápido nos reflexos, somente grita:
- Parada aí, moça!
-------------------------------------------------------------------------------
Na próxima postagem, vamos revelar onde moram e quem são os pequenos habitantes desse lugar fora do mapa. Aquele abraço!
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Tonico Pretinho
terça-feira, 22 de julho de 2014
Mensagens dos meninos perdidos
Ainda meio sonolenta, Antonieta vai até o portão para receber uma surpreendente encomenda que lhe chega do exterior pelo correio. Trata-se de várias caixas de madeira antiga e uma carta de um remetente chamado Jonathan. Ele, que será daqui por diante seu instrutor e guia, lhe incumbe sem rodeios de uma missão que Nieta (seu apelido) julga-se completamente despreparada para aceitá-la. E o pior, que segurança terá aventurando-se nessa insana empreitada ? Reflete ela.
Continuaremos em breve...
Continuaremos em breve...
terça-feira, 15 de julho de 2014
Laurence Olivier, o melhor...
De resto, ando rabiscando uma historieta quase séria, um pouco adolescente e sem necessariamente com um final feliz. Em breve, e se digo assim é porque não sei quando será, cometerei a audácia de publicá-la.
Olha só duas das belas imagens do filme O Melhor Pai do Mundo que tem também como um dos protagonista o fantástico Alan Bates de Zorba, o Grego (que filmaço, hein?). Só isso, por enquanto.
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
No mundo das bonecas quebradas
No mundo das bonecas quebradas só encontrei cacos de velhas lembranças sem serventia, sem nenhuma utilidade. Bonecas risonhas de cabelos dourados, vestidas com fitas sedosas e multicoloridas, fantasmagóricas bonecas, esquecidas no além do nosso inconsciente e inconsequente coletivo âmago, apesar de tão individualistas sermos, e somos. Cinzentos sonhos hoje sonho. Bonecas em preto e branco, me enganaste feio, por isso as odeio, por isso as joguei no lixo, por causa das suas patifarias e mentirosas lábias, preferi viver por viver, sem compromisso, sem o lenço e sem o documento de que falava Caetano. Viver sem brincar mais com a vida.
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terça-feira, 10 de junho de 2014
Talvez a culpa seja
Talvez a culpa
Se culpa houver
Seja e provenha
Do teu e meu
Reflexos
Nesse espelho
Pois não é fácil
Encontrar respostas
Se resposta houver
Esse traiçoeiro espelho
Que a tudo reflete
E vazio
Permanecerá..
Se culpa houver
Seja e provenha
Do teu e meu
Reflexos
Nesse espelho
Pois não é fácil
Encontrar respostas
Se resposta houver
Esse traiçoeiro espelho
Que a tudo reflete
E vazio
Permanecerá..
sábado, 2 de novembro de 2013
Meu PC vai ao conSerto
Se fosse ao concerto com C
Felizes ele e eu ficaríamos
Mas com S
Significa danos, problemas
Nessa máquina
Que tanto amo
Com certeza
Voltará novo
Rapidinho
Veloz
E quem sabe, quase humano
Ele, eu e vocês
Voltaremos
A formar outra vez
Uma nova e afinada
Orquestra
ENERGIA E PAZ PARA TODOS! VOLTAREMOS EM BREVE, NUM PISCAR E ABRIR DE OLHOS...
Felizes ele e eu ficaríamos
Mas com S
Significa danos, problemas
Nessa máquina
Que tanto amo
Com certeza
Voltará novo
Rapidinho
Veloz
E quem sabe, quase humano
Ele, eu e vocês
Voltaremos
A formar outra vez
Uma nova e afinada
Orquestra
ENERGIA E PAZ PARA TODOS! VOLTAREMOS EM BREVE, NUM PISCAR E ABRIR DE OLHOS...
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Um corpo que não caiu
Vertigo do velho Hitch trouxe-me, desde menina, a certeza de que havia um grande mistério na queda livre, louca e vertiginosa dos cabelos louros de Kim Novak. Passei a querer ser ela. Fui um pouco a Kim.
Passados mais de cinquenta anos - e passarão mais de cem - cada cena reacende aqui dentro de mim o mais lúdico daquela experiência marcante.
A vertigem e paixões arriscadas daqueles protagonistas fizeram-me sofrer o deslumbramento das cores oníricas dos teus cenários, caro Hitch.
O cinema é parte integrante e entranhada da minha vida, meu pai escondia a minha idade para ludibriar o bilheteiro. Eu tinha cinco, mas ele afirmava que eu tinha oito. Assim, adentrávamos naquele templo escuro, mágico e meio sensual, pois por ali haviam mãos vadias que tentavam afagar pernas adolescentes.
Rodrigo, um dos maiores (e tímidos) cinéfilos do Brasil veio, por fim, e ensinou-me mais, amando-me muito mais. E dessa maneira, fez-se um amor fora da tela, ou melhor, na grande tela da vida.
Ando ausente de vocês, amigos. Queiram me perdoar. Vou afastar-me ainda mais um pouquinho, mas volto, sempre volto...
Passados mais de cinquenta anos - e passarão mais de cem - cada cena reacende aqui dentro de mim o mais lúdico daquela experiência marcante.
A vertigem e paixões arriscadas daqueles protagonistas fizeram-me sofrer o deslumbramento das cores oníricas dos teus cenários, caro Hitch.
O cinema é parte integrante e entranhada da minha vida, meu pai escondia a minha idade para ludibriar o bilheteiro. Eu tinha cinco, mas ele afirmava que eu tinha oito. Assim, adentrávamos naquele templo escuro, mágico e meio sensual, pois por ali haviam mãos vadias que tentavam afagar pernas adolescentes.
Rodrigo, um dos maiores (e tímidos) cinéfilos do Brasil veio, por fim, e ensinou-me mais, amando-me muito mais. E dessa maneira, fez-se um amor fora da tela, ou melhor, na grande tela da vida.
Ando ausente de vocês, amigos. Queiram me perdoar. Vou afastar-me ainda mais um pouquinho, mas volto, sempre volto...
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Krishna dança
O oitavo filho de Vishnu, menino de tons azulados na pele sagrada, Krishna dança bem aqui no meu quintal, no sonho dos novos sonhos que um dia quis sonhar, e ao dançar ao som da flauta doce, impregna os mundos de odores florais e cores preternaturais.
Nos seus saltitantes passos de inocente e sábio moleque, derruba sobre nós a leitosa jarra de argila, via láctea que dentro do meu ser ecoa, escoa.
Deseja Ele que nos alimentemos dessa translúcida coalhada, mesmo que seja só uma gota, pingo de alegria contagiante, remédio único para os males da alma.
Rodopia, Krishna!
Rodopia, dançarino dos ciclos da eternidade!
Krishna foi um menino-príncipe, perseguido e atacado constantemente pelas forças do mal. Seus pais foram obrigados a entregá-lo para uma família adotiva. Passou sua infância nas florestas e com os animais, levando uma vida pastoril. É um Deus que ama a música e a artes, mas gosta também de mudanças para melhor no comportamento humano. Um verdadeiro Amigo da Paz!
Nos seus saltitantes passos de inocente e sábio moleque, derruba sobre nós a leitosa jarra de argila, via láctea que dentro do meu ser ecoa, escoa.
Deseja Ele que nos alimentemos dessa translúcida coalhada, mesmo que seja só uma gota, pingo de alegria contagiante, remédio único para os males da alma.
Rodopia, Krishna!
Rodopia, dançarino dos ciclos da eternidade!
Krishna foi um menino-príncipe, perseguido e atacado constantemente pelas forças do mal. Seus pais foram obrigados a entregá-lo para uma família adotiva. Passou sua infância nas florestas e com os animais, levando uma vida pastoril. É um Deus que ama a música e a artes, mas gosta também de mudanças para melhor no comportamento humano. Um verdadeiro Amigo da Paz!
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Eu me divirto no paint e no photofiltre!
O mundo digital é um universo de proporções incrivelmente ilimitadas. Até aí, morreu Neves. Quero dizer, estou chovendo no molhado. Nunca fiz um só curso de informática, mas essa coisa do virtual e suas ferramentas são desafiadoras, e a cada dia, lá vem uma novidade. Não, até que não sou novidadeira. Digamos que eu seja uma internauta nada profissional, meio xereta, que vive mexendo daqui e dali. Aperto um ícone e me dou quase sempre mal. Contudo, entretanto, todavia, mesmo curtindo o beletrismo, paralelamente, venho de long, long time me afeiçoando à arte digital. Não digo que seja aquela arte aprimorada, porque na verdade, sou mais pelos caminhos estreitos e tortuosos dos erros do que dos acertos. Questão de cabeça, deu pra sacar? Difícil, nem eu mesma consigo.
Vou ao amarelado e esfrangalhado álbum de fotografias e percebo o tempo esfumaçando o meu rosto de criança. Revolto-me. Puxa! Faz tanto tempo assim que eu fiz oito anos?
- Faz, Vanuza!
- Mas eu não posso aceitar essa agressão de um inimigo que não posso combater, o monstro devorador dos nossos dias.
- Vou vingar-me de ti, tempo invisível e traiçoeiro.
- Como, Vanuza?
Quer ver só? Pego a foto, escaneio, vou ao paint e refaço as cores perdidas, corto, recorto, misturo imagens do presente com as do passado. Agora, toque de mestra: o photofiltre. Acham que é fácil? Tentem e padeçam como estou padecendo.
Mas, menina danadinha que sou, fui à luta e alguma coisa está me dando prazer. Isso, o prazer, busquemos o prazer.
Volto em junho para comemorar meu niver com vocês.
PS: Ai de mim se não fosse a ajuda do meu filhote!
Tchau, tchau!
Vou ao amarelado e esfrangalhado álbum de fotografias e percebo o tempo esfumaçando o meu rosto de criança. Revolto-me. Puxa! Faz tanto tempo assim que eu fiz oito anos?
- Faz, Vanuza!
- Mas eu não posso aceitar essa agressão de um inimigo que não posso combater, o monstro devorador dos nossos dias.
- Vou vingar-me de ti, tempo invisível e traiçoeiro.
- Como, Vanuza?
Quer ver só? Pego a foto, escaneio, vou ao paint e refaço as cores perdidas, corto, recorto, misturo imagens do presente com as do passado. Agora, toque de mestra: o photofiltre. Acham que é fácil? Tentem e padeçam como estou padecendo.
Mas, menina danadinha que sou, fui à luta e alguma coisa está me dando prazer. Isso, o prazer, busquemos o prazer.
Volto em junho para comemorar meu niver com vocês.
PS: Ai de mim se não fosse a ajuda do meu filhote!
Tchau, tchau!
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quinta-feira, 28 de março de 2013
Filhas das Estrelas - epílogo
Donato está voltando para casa, o engarrafamento é monstruoso, os motoristas discutem, se agridem fisicamente e ninguém mais se entende. Ele abandona o veículo no acostamento e segue a passos rápidos para sua residência, mas não encontra a família por lá, os móveis foram revirados. Portas abertas, ele percebeu a fuga precipitada de Célia. As casas dos vizinhos também se encontram no mesmo estado de abandono. Don começa a perambular pelas ruas em busca de pistas. Uma pancada surda explode em sua cabeça e a escuridão apaga-lhe a consciência.
Enquanto isso, o grupo de Petrônio chega são e salvo a uma região de montes nevados, cabanas de madeira circundam uma construção de pedras, talvez um velho mosteiro. Reunidos naquele salão onde o tempo parece não passar, se encontram homens e mulheres de vestes longas e cores sóbrias.
Uma senhora de cabelos ruivos, toma a palavra:
- Tudo que estás vivenciando até agora, Célia, foi plasmado por nós, até nossos corpos, pois somos pura energia, não possuímos corpos físicos.
- Mas por que me escolherem e a minha filha entre tantas pessoas? Redarguiu a visitante.
A mulher ruiva retoma a palavra:
- Seus átomos e, consequentemente, da sua filha, tiveram origem na nossa galáxia, vocês são nossas filhas, não te lembras da tua capacidade paranormal de prever o futuro? Herdaste isso e muito mais dos nossos antepassados. E seguirás conosco, se quiseres, para aumentar teu potencial de poderes e de sabedoria. Aceitas a nossa proposta?
O rosto de Célia se ilumina e sua mente se abre para uma percepção maior do momento importante em que está imersa. Mesmo assim, impõe uma condição:
- Só iremos se Don também concordar. Somos uma família...
De repente, surge na parede em frente, uma tela com a imagem de um homem ferido na cabeça, era seu esposo. Célia solta um grito de desespero e revolta-se contra seus protetores: - Por que vocês não o salvaram?
- Espere, moça! Intervém um homem baixinho, vestido com uma roupa artesanal de algodão cru. Ele vai sair dessa, mas por ter participado de temíveis experiências com os códigos genéticos da natureza e do homem, seus inimigos estão tentando eliminá-lo. Não conseguirão, vamos impedi-los e ele vai fugir.
- Mas que culpa ele teve? Abram o jogo! Célia altera a voz.
O homenzinho responde: - Ele tinha o livre arbítrio e, por ambição e vaidade da sua brilhante inteligência, prosseguiu nesses trabalhos que estão colocando em risco a sobrevivência do planeta. Porém, já sabemos que houve mudanças no seu caráter. Ele se arrependeu e pode desfazer o mal que ajudou a criar. Essa atitude o salvará, acredite.
Passaram-se alguns dias e ao entrar no quarto da filha, Célia se depara com uma cena comovente. Era Don que, abraçado a Íris, chorava copiosamente. Ela se aproximou e os três...bem, os três se transformaram em um. Essa, quem sabe, seja uma cabala que só o amor explica.
A casa agora, parecia totalmente vazia. Numa manhãzinha amena, saem para passear pelas redondezas e se deparam com uma construção metálica de luminosidade diferente. Don pediu que a mulher e a filha parassem e foi ter com Petrônio que se encontrava à entrada daquele aparelho de forma circular. Conversaram em voz baixa.
Em seguida, os quatro deram-se as mãos e embarcaram felizes naquele objeto não identicado. Seria um disco voador? Por que não?
Afinal,vocês pensam que estamos sozinhos no universo?
Nota explicativa: Em 1958, eu, minha família e toda a população do Estado do Rio de Janeiro, avistamos evoluções de alguma coisa que voava nos céus, e que deixava fortes rastros azulados. Não era avião, nem balão, nada que os homens de ciência da época pudessem explicar. O noticiário foi farto sobre a insólita ocorrência.
Uma Páscoa de Paz para todos!
Enquanto isso, o grupo de Petrônio chega são e salvo a uma região de montes nevados, cabanas de madeira circundam uma construção de pedras, talvez um velho mosteiro. Reunidos naquele salão onde o tempo parece não passar, se encontram homens e mulheres de vestes longas e cores sóbrias.
Uma senhora de cabelos ruivos, toma a palavra:
- Tudo que estás vivenciando até agora, Célia, foi plasmado por nós, até nossos corpos, pois somos pura energia, não possuímos corpos físicos.
- Mas por que me escolherem e a minha filha entre tantas pessoas? Redarguiu a visitante.
A mulher ruiva retoma a palavra:
- Seus átomos e, consequentemente, da sua filha, tiveram origem na nossa galáxia, vocês são nossas filhas, não te lembras da tua capacidade paranormal de prever o futuro? Herdaste isso e muito mais dos nossos antepassados. E seguirás conosco, se quiseres, para aumentar teu potencial de poderes e de sabedoria. Aceitas a nossa proposta?
O rosto de Célia se ilumina e sua mente se abre para uma percepção maior do momento importante em que está imersa. Mesmo assim, impõe uma condição:
- Só iremos se Don também concordar. Somos uma família...
De repente, surge na parede em frente, uma tela com a imagem de um homem ferido na cabeça, era seu esposo. Célia solta um grito de desespero e revolta-se contra seus protetores: - Por que vocês não o salvaram?
- Espere, moça! Intervém um homem baixinho, vestido com uma roupa artesanal de algodão cru. Ele vai sair dessa, mas por ter participado de temíveis experiências com os códigos genéticos da natureza e do homem, seus inimigos estão tentando eliminá-lo. Não conseguirão, vamos impedi-los e ele vai fugir.
- Mas que culpa ele teve? Abram o jogo! Célia altera a voz.
O homenzinho responde: - Ele tinha o livre arbítrio e, por ambição e vaidade da sua brilhante inteligência, prosseguiu nesses trabalhos que estão colocando em risco a sobrevivência do planeta. Porém, já sabemos que houve mudanças no seu caráter. Ele se arrependeu e pode desfazer o mal que ajudou a criar. Essa atitude o salvará, acredite.
Passaram-se alguns dias e ao entrar no quarto da filha, Célia se depara com uma cena comovente. Era Don que, abraçado a Íris, chorava copiosamente. Ela se aproximou e os três...bem, os três se transformaram em um. Essa, quem sabe, seja uma cabala que só o amor explica.
A casa agora, parecia totalmente vazia. Numa manhãzinha amena, saem para passear pelas redondezas e se deparam com uma construção metálica de luminosidade diferente. Don pediu que a mulher e a filha parassem e foi ter com Petrônio que se encontrava à entrada daquele aparelho de forma circular. Conversaram em voz baixa.
Em seguida, os quatro deram-se as mãos e embarcaram felizes naquele objeto não identicado. Seria um disco voador? Por que não?
Afinal,vocês pensam que estamos sozinhos no universo?
Nota explicativa: Em 1958, eu, minha família e toda a população do Estado do Rio de Janeiro, avistamos evoluções de alguma coisa que voava nos céus, e que deixava fortes rastros azulados. Não era avião, nem balão, nada que os homens de ciência da época pudessem explicar. O noticiário foi farto sobre a insólita ocorrência.
Uma Páscoa de Paz para todos!
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terça-feira, 12 de março de 2013
Filhas das Estrelas - Parte 3
Petrônio pergunta, mas antes mesmo que Célia tenha tempo de pensar, ele mesmo toma a iniciativa de mudar o rumo da conversa, numa espécie de arrependimento, o que lhe aprofunda as rugas do rosto.
- Deixa pra lá! Vamos ter o momento certo para tratarmos disso e muito mais. Precisamos mesmo é pegar esse helicóptero e sairmos logo daqui, esse lugar é perigoso para vocês, eles estão lhes seguindo.
O coração de Célia bateu acelerado, estava com muito medo, a visão daquele aparelho e o destino desconhecido a deixaram paralisada.
O piloto gritou lá da cabine: - Sem medo, gente! Temos pressa!
Para entendermos mais as apreensões dessa mulher, teremos forçosamente que traçar um breve perfil das atividades de César Donato, seu marido. Então, vamos a ele.
Don, como era mais conhecido, viveu uma infância pobre como trabalhador rural, sem tempo de ter infância. Certo dia, acordou com planos de fugir de casa e, maltrapilho, sem sapatos, pegou uma carona numa caminhonete e foi para a capital. Menino lúcido e maduro para a sua idade, trabalhou muito duro, mas matriculou-se numa escola e com o salário minguado de faxineiro, foi traçando seu destino. Por fim, formou-se em Ciências Biológicas e tornou-se professor universitário.Como mérito de toda essa vida de estudos e labor, foi convidado a ser cientista num grande laboratório de genética humana e animal.
Conheceu Célia numa festa infantil - ela era professora primária do jardim de infância. Não era lá uma beldade, além disso, as grossas lentes dos seus óculos para miopia, escondiam os tons naturais daqueles olhos meio cinzentos, meio azulados que lhe emolduravam a tez clara. Mas quem poderia explicar esse mistério do amor à primeira vista?
Íris nasceu, a casa encheu-se de uma energia boa, mágica; sons de risadinhas infantis, aromas de leite materno, roupinhas cor-de-rosa no varal. Dois anos se passaram assim, felicidade ilimitada e roseiras brancas no jardim. Porém, Don, pouco a pouco, passou a dispender mais tempo e energia no laboratório. Célia percebia também que as conversas se tornavam mais curtas e ríspidas quando se tratava em dar explicações para essas mudanças.
Que pesquisas realizava Don? E por que não se aprofundava no assunto?
Na próxima e última parte, teremos todas essas indagações respondidas.
Mais uma vez, fico-lhes muito grata!
Até lá!
- Deixa pra lá! Vamos ter o momento certo para tratarmos disso e muito mais. Precisamos mesmo é pegar esse helicóptero e sairmos logo daqui, esse lugar é perigoso para vocês, eles estão lhes seguindo.
O coração de Célia bateu acelerado, estava com muito medo, a visão daquele aparelho e o destino desconhecido a deixaram paralisada.
O piloto gritou lá da cabine: - Sem medo, gente! Temos pressa!
Para entendermos mais as apreensões dessa mulher, teremos forçosamente que traçar um breve perfil das atividades de César Donato, seu marido. Então, vamos a ele.
Don, como era mais conhecido, viveu uma infância pobre como trabalhador rural, sem tempo de ter infância. Certo dia, acordou com planos de fugir de casa e, maltrapilho, sem sapatos, pegou uma carona numa caminhonete e foi para a capital. Menino lúcido e maduro para a sua idade, trabalhou muito duro, mas matriculou-se numa escola e com o salário minguado de faxineiro, foi traçando seu destino. Por fim, formou-se em Ciências Biológicas e tornou-se professor universitário.Como mérito de toda essa vida de estudos e labor, foi convidado a ser cientista num grande laboratório de genética humana e animal.
Conheceu Célia numa festa infantil - ela era professora primária do jardim de infância. Não era lá uma beldade, além disso, as grossas lentes dos seus óculos para miopia, escondiam os tons naturais daqueles olhos meio cinzentos, meio azulados que lhe emolduravam a tez clara. Mas quem poderia explicar esse mistério do amor à primeira vista?
Íris nasceu, a casa encheu-se de uma energia boa, mágica; sons de risadinhas infantis, aromas de leite materno, roupinhas cor-de-rosa no varal. Dois anos se passaram assim, felicidade ilimitada e roseiras brancas no jardim. Porém, Don, pouco a pouco, passou a dispender mais tempo e energia no laboratório. Célia percebia também que as conversas se tornavam mais curtas e ríspidas quando se tratava em dar explicações para essas mudanças.
Que pesquisas realizava Don? E por que não se aprofundava no assunto?
Na próxima e última parte, teremos todas essas indagações respondidas.
Mais uma vez, fico-lhes muito grata!
Até lá!
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Vamos ter o momento certo
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Filhas das Estrelas - Ficção Científica - Parte 2
O desemprego em massa e a corrupção política desenfreada, jogavam por terra o que ainda restava do respeito e ética à dignidade humana. Quadrilhas se formavam em todos os becos e saqueavam a todos e a tudo, desde computadores e celulares de última geração, a aparelhos de alta tecnologia em lojas, supermercados, e escritórios públicos e particulares. Hordas enormes de ladrões se apropriavam de alimentos até das casas de famílias humildes. Nada ficava incólume àquela devastação social.
Felizmente, para Célia e Íris (a menina), assim que o pânico começou a se instalar, ambas conseguiram fugir às pressas pelos fundos do quintal e se abrigaram no galpão de uma velha fábrica vazia, mas sabiam que era por pouco tempo. Tropas da polícia chegavam em caminhões para conter à força àquela destruição da ordem pública, mas até esses se deixavam contaminar e aderiam aos saques e assassinatos de pessoas inocentes, como idosos, mulheres e crianças. A terra não era mais um lugar seguro para abrigar e proteger a raça humana, tendo em vista que até a natureza se rebelava, e uma chuva de meteoros bombardeava uma grande parte das nações, deixando marcas profundas onde caíam. As grandes cidades ficavam com suas luzes apagadas, a água encanada sumia das torneiras, e a orgulhosa civilização ocidental se debatia em espamos de dor e lamentos.
Entretanto, como já foi dito anteriormente, mãe e filha, encontraram o apoio surpreendente e inesperado de Petrônio e sua equipe multidisciplinar de médicos, cientistas e psicólogos que as acalmaram como podiam e as acomodaram em um pequeno e confortável quarto com flores do campo na mesinha de cabeceira, ali foram bem tratadas e fizeram uma refeição farta e quente que não experimentavam há dias. Adormeceram nos braços uma da outra.
- Então, já estão preparadas para a viagem de helicóptero? Vai chegar daqui a vinte minutos, disse Petrônio com voz pausada e firme.
Célia apenas virou sua face pálida para o lado dele e fez um gesto de concordância, mas seu pensamento voou para longe, para o passado de uma pequena ermida onde ela, Donato, o marido, e a pequenina Íris, passeavam pelo verde de uma horta onde cultivavam alfaces, repolhos, batatas e tomateiros.
Subitamente, um som estrepitoso afastou-a de suas mais doces lembranças, o helicóptero se aproximava e pousava numa área improvisada.
- Vamos sair daqui rápido, minhas queridas! Apressa-se o anfitrião. Porém, por um breve momento, ele percebe o estado melancólico da mulher que cai num pranto dolorido. Foi quando aconteceu um terno abraço como se fora de pai e filha, e Petrônio também chorou sem sentir pejo ou vergonha da sua masculinidade.
Passado esse momento de emoção, em um assomo, aquele senhor lhe fez uma pergunta que lhe pareceu absurda:
- Queres partir desse planeta, Célia?
Na terceira parte da história, conheceremos a resposta de Célia. Aguardemos mais um capítulo, por favor.
Estão gostando? A opinião e até as sugestões de vocês, principalmente essas últimas, serão o nosso termômetro nessa jornada ao infinito.
Obrigada a todos!
Felizmente, para Célia e Íris (a menina), assim que o pânico começou a se instalar, ambas conseguiram fugir às pressas pelos fundos do quintal e se abrigaram no galpão de uma velha fábrica vazia, mas sabiam que era por pouco tempo. Tropas da polícia chegavam em caminhões para conter à força àquela destruição da ordem pública, mas até esses se deixavam contaminar e aderiam aos saques e assassinatos de pessoas inocentes, como idosos, mulheres e crianças. A terra não era mais um lugar seguro para abrigar e proteger a raça humana, tendo em vista que até a natureza se rebelava, e uma chuva de meteoros bombardeava uma grande parte das nações, deixando marcas profundas onde caíam. As grandes cidades ficavam com suas luzes apagadas, a água encanada sumia das torneiras, e a orgulhosa civilização ocidental se debatia em espamos de dor e lamentos.
Entretanto, como já foi dito anteriormente, mãe e filha, encontraram o apoio surpreendente e inesperado de Petrônio e sua equipe multidisciplinar de médicos, cientistas e psicólogos que as acalmaram como podiam e as acomodaram em um pequeno e confortável quarto com flores do campo na mesinha de cabeceira, ali foram bem tratadas e fizeram uma refeição farta e quente que não experimentavam há dias. Adormeceram nos braços uma da outra.
- Então, já estão preparadas para a viagem de helicóptero? Vai chegar daqui a vinte minutos, disse Petrônio com voz pausada e firme.
Célia apenas virou sua face pálida para o lado dele e fez um gesto de concordância, mas seu pensamento voou para longe, para o passado de uma pequena ermida onde ela, Donato, o marido, e a pequenina Íris, passeavam pelo verde de uma horta onde cultivavam alfaces, repolhos, batatas e tomateiros.
Subitamente, um som estrepitoso afastou-a de suas mais doces lembranças, o helicóptero se aproximava e pousava numa área improvisada.
- Vamos sair daqui rápido, minhas queridas! Apressa-se o anfitrião. Porém, por um breve momento, ele percebe o estado melancólico da mulher que cai num pranto dolorido. Foi quando aconteceu um terno abraço como se fora de pai e filha, e Petrônio também chorou sem sentir pejo ou vergonha da sua masculinidade.
Passado esse momento de emoção, em um assomo, aquele senhor lhe fez uma pergunta que lhe pareceu absurda:
- Queres partir desse planeta, Célia?
Na terceira parte da história, conheceremos a resposta de Célia. Aguardemos mais um capítulo, por favor.
Estão gostando? A opinião e até as sugestões de vocês, principalmente essas últimas, serão o nosso termômetro nessa jornada ao infinito.
Obrigada a todos!
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Filhas das Estrelas - tentativa de ficção científica - novela
A princípio, o que as duas mulheres viram, não passava de uma porta carcomida de um antigo casarão, mas à medida que se aproximavam, outras estrututas arquitetônicas se divisavam ante seus olhos atônitos.
Célia bateu à porta e deparou-se com a figura de um homem muito alto e de barbas grisalhas. Ele a cumprimentou sorridente e afagou a pequenina cabeça da menina. Porém, ao penetrarem ali, ambas perceberam um entrelaçamento de grades fortes de ferro que ao serem tocadas por Petrônio (o nome do anfitrião) subiram e deixaram sobressair uma espécie de laboratório enorme e branco por onde circulavam cientistas que se locomoviam sobre um piso cinza e brilhante.
A menina, muito assustada, agarrou-se com medo à saia da mãe. Ainda achava-se em estado de choque com as imagens recentes e perturbadoras que tomara contato até chegarem ali. Vira homens armados nas ruas e que tomavam brutalmente de assalto residências, maltratando pessoas inocentes e indefesas.
Continua no próximo capítulo...
Obrigada pela leitura!
Célia bateu à porta e deparou-se com a figura de um homem muito alto e de barbas grisalhas. Ele a cumprimentou sorridente e afagou a pequenina cabeça da menina. Porém, ao penetrarem ali, ambas perceberam um entrelaçamento de grades fortes de ferro que ao serem tocadas por Petrônio (o nome do anfitrião) subiram e deixaram sobressair uma espécie de laboratório enorme e branco por onde circulavam cientistas que se locomoviam sobre um piso cinza e brilhante.
A menina, muito assustada, agarrou-se com medo à saia da mãe. Ainda achava-se em estado de choque com as imagens recentes e perturbadoras que tomara contato até chegarem ali. Vira homens armados nas ruas e que tomavam brutalmente de assalto residências, maltratando pessoas inocentes e indefesas.
Continua no próximo capítulo...
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Valei-nos, Santa Maria! Nada de carnaval!
Cheios de planos em suas mentes criativas, eles partiram felizes para uma dimensão cujo fundamento transcendental coloca ateus e religiosos em permanente e eterno confronto filosófico. Pouco importa isso agora.
Simplesmente, em meio à mortífera cortina de fumaça e às chamas alucinantes, tudo está carbonizado. Principalmente...os sonhos.
Flores para os mortos!
Outras tragédias se sucederão nesse mundo materialista, impiedoso, ganancioso, perverso, narcisista, sem compaixão. Assistir a tudo pela mídia, foi o que nos restou.
Enquanto isso, o gado exibe sua ossada branca na caatinga nordestina, mais e mais crianças choram sua fome e comem macambira amarga. Morrem também, as infelizes.
Lama e chuvas torrenciais arrastam casas simples, colchões, geladeiras, bonecas, carrinhos de brinquedo e criancinhas que nem chegaram a ter um sonho sequer. Culpa de quem? Quem ousa falar a verdade?
Flores, muitas flores para os que se evadiram dessa terra sem lei.
Valei-nos, Santa Maria!
Nem pensar em carnaval!
PS: Santa Maria, cidade gaúcha onde ocorreu o tenebroso incêndio que ceifou as vidas de trezentos jovens estudantes.
Simplesmente, em meio à mortífera cortina de fumaça e às chamas alucinantes, tudo está carbonizado. Principalmente...os sonhos.
Flores para os mortos!
Outras tragédias se sucederão nesse mundo materialista, impiedoso, ganancioso, perverso, narcisista, sem compaixão. Assistir a tudo pela mídia, foi o que nos restou.
Enquanto isso, o gado exibe sua ossada branca na caatinga nordestina, mais e mais crianças choram sua fome e comem macambira amarga. Morrem também, as infelizes.
Lama e chuvas torrenciais arrastam casas simples, colchões, geladeiras, bonecas, carrinhos de brinquedo e criancinhas que nem chegaram a ter um sonho sequer. Culpa de quem? Quem ousa falar a verdade?
Flores, muitas flores para os que se evadiram dessa terra sem lei.
Valei-nos, Santa Maria!
Nem pensar em carnaval!
PS: Santa Maria, cidade gaúcha onde ocorreu o tenebroso incêndio que ceifou as vidas de trezentos jovens estudantes.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Uma questão de perspectiva
Na complexidade do destino, aquele morro verde encheu-me o olhar
E o caminho nunca foi tão reto e sem fim, assim como o vento
que foi sendo engolido pela janela aberta por nuvens translúcidas
Fluidas
Ali também estava a antena de TV, imponente, sorvendo imagens
do éter
Duas pessoas no terraço do prédio distante, pareciam-me
tão perto e palpáveis, quase me enganaram
Sei que a mão de Deus não pousou em mim que eu sentisse
E se as pessoas fossem finas como folhas de papel?
Uma simples questão de perspectiva,
e abriu-se o portal da poesia em mim,
Pensar que foi tudo assim,
De repente, sem nenhum sentido preciso
preciso ser imprecisa...
E o caminho nunca foi tão reto e sem fim, assim como o vento
que foi sendo engolido pela janela aberta por nuvens translúcidas
Fluidas
Ali também estava a antena de TV, imponente, sorvendo imagens
do éter
Duas pessoas no terraço do prédio distante, pareciam-me
tão perto e palpáveis, quase me enganaram
Sei que a mão de Deus não pousou em mim que eu sentisse
E se as pessoas fossem finas como folhas de papel?
Uma simples questão de perspectiva,
e abriu-se o portal da poesia em mim,
Pensar que foi tudo assim,
De repente, sem nenhum sentido preciso
preciso ser imprecisa...
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
O que se traça na taça
Uma incredulidade me assalta constantemente sobre a "capacidade" que o ser humano tem em prejudicar outro ser humano. Somos suicidas em potencial, eis minha primeira conclusão - talvez meio precipitada.
João, na Ilha de Patmos, no seu exílio forçado, medita e escreve o apocalipse. Ele foi o único discípulo que assistiu todo o martírio e a crucificação de Jesus. Impressionante essa imagem, não?
Milagres e abominações borbulham na taça que contém o sangue dos miseráveis.
Uma lágrima pesada cai sobre Nova Iorque, outra despenca em Xerém.
De Xerém a Nova Iorque, qual a distância tem?
Enquanto a taça transborda para alguns, para a maioria, no entanto, falta-lhes a gota que refrigera os lábios sedentos.
"E o quarto anjo derramou sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abraçasse os homens com fogo."
Nada demais, apenas para refletir e traçar rumos para 2013.
João, na Ilha de Patmos, no seu exílio forçado, medita e escreve o apocalipse. Ele foi o único discípulo que assistiu todo o martírio e a crucificação de Jesus. Impressionante essa imagem, não?
Milagres e abominações borbulham na taça que contém o sangue dos miseráveis.
Uma lágrima pesada cai sobre Nova Iorque, outra despenca em Xerém.
De Xerém a Nova Iorque, qual a distância tem?
Enquanto a taça transborda para alguns, para a maioria, no entanto, falta-lhes a gota que refrigera os lábios sedentos.
"E o quarto anjo derramou sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abraçasse os homens com fogo."
Nada demais, apenas para refletir e traçar rumos para 2013.
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